Voltar a fazer colagens me reconectou com a adolescente esquisita, criativa e sonhadora que fui, e que, no fundo, eu ainda sou. Sempre tive o sonho de viver de arte e sempre fui esquisita, tinha toda a skin para ser artista. Na adolescência eu fazia colagens em todo lugar, nas capas dos cadernos, fichários, na porta do quarto. Passava horas recortando figuras das revistas (minha mãe dizia que eu era uma rata fazendo ninho, de tanto papel recortado. Os restinhos pareciam mesmo ninho de rato. Hey, rato tem ninho?). Depois fui fazer teatro, uma das coisas mais maravilhosas que já fiz na vida, fiz escola de teatro. Lá a gente atuava, criava os cenários, costurava os figurinos, maquiava. Era tudo nós mesmos que fazíamos, a escola era de um dos grupos de teatro mais importantes do Brasil, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, um dos coletivos de teatro mais engajados politicamente da América Latina. Participar dessa escola foi…
Arquivos para junho 2025
🧵. Boneca de linha (re)costurada
Entre agosto de 2007 e agosto de 2008, mantive um blog chamado boneca. Era um espaço pequeno, mas cheio de carinho, onde experimentei formas de escrita entre a ficção, o rabisco, o poema e o silêncio. Um canto à parte, costurado como um bolso secreto dentro do meu antigo site/blog trecosetrapos. A descrição era simples: Boneca de linha ultrapassada, contação. E isso dizia tudo. Era sobre inventar, errar, brincar com palavras, criar cenas curtas e personagens esquisitos, dar voz a pequenos absurdos e emoções costuradas à máquina de escrever da memória. A identidade visual do blog também tinha seu charme. Era simples, com pontos de cor alinhados como miçangas e um cabeçalho que até hoje é um dos meus favoritos. A imagem da boneca antiga, em tom rosado, segurando um ursinho, dava o tom delicado e nostálgico que atravessava também os textos. Como se tudo fosse feito à mão, entre linhas e retalhos de sentimento. Lá, eu falava de caminhos…
🛠️ Novo visual no ar!
Oi oi! 🌿 Passei os últimos dias fuçando, testando e ajustando cada detalhe… e finalmente o blog está de cara nova! ✨ Fazia tempo que eu queria um espaço mais leve, intuitivo e com mais identidade. Quis que o novo layout refletisse um pouco mais da minha bagunça organizada, da estética que me inspira e das ideias que quero compartilhar aqui. Eu passei a usar outro tema-base no início desse ano e já tinha deixado algumas coisas mais do jeito que eu queria. Testei um esquema de cores bege/marrom e gostei bastante. Já tinha usado uma cartela de cores parecida em outros momentos. Mas o logo (cabeçalho) não ficou como eu queria. Inventei de testar fazer uma espécie de colagem e não deu muito certo. Ficou pouco harmônico, carregado demais e, ainda por cima, visualmente uma bagunça. Mal dava pra entender quais elementos tinham ali. Pouco menos de seis meses se passaram e eu finalmente cheguei numa cartela de cores…
Lendo o que a cidade fala
Acabei de ler Delírio de Damasco, da Veronica Stigger, e fiquei com a sensação de que entrei num ônibus lotado e fui obrigada a ouvir todos os diálogos que normalmente ignoramos, mas, desta vez, sem poder desviar o olhar. Conheci o livro depois de visitar o blog da Gabes, o Fugi de Casa. Li um post ótimo em que ela falava sobre a obra da Veronica Stigger e fiquei morrendo de curiosidade. Resolvi começar por esse, dos vários que ela linkou como sugestão. O livro é a reunião de frases que a autora coletou de fragmentos de conversas ouvidos na rua, de familiares ou amigos. Antes de virar este pequeno livro, foi uma intervenção na Mostra Sesc de Artes, em São Paulo. O espaço designado para o trabalho foram os tapumes da construção da unidade da Rua 24 de Maio, no centro da cidade. As frases são curtas, cortantes, muitas vezes absurdas, carregadas de ironia e de uma crueza que…








