Na adolescência eu já achava as meninas mais interessantes que os meninos. Não entendia bem o que isso queria dizer, mas sentia. Aos 18 anos, me apaixonei por uma colega do cursinho popular. Ela era a menina mais estilosa que eu já tinha conhecido. Um dia fui pra casa dela e percebi que o que eu sentia ao lado dela era o mesmo que sentia com o namorado que eu tinha na época. Foi aí que a ficha começou a cair. Não de uma vez, mas aos poucos. Ao longo da vida fui me descobrindo bissexual, entendendo que meu desejo e meu afeto não precisavam seguir um roteiro pronto. Hoje, no Dia da Visibilidade Bissexual, penso na Daniela adolescente e queria muito poder voltar e dizer: “Calma. Você vai entender. E vai ser a melhor coisa do mundo.” O Dia Internacional da Celebração Bissexual é lembrado no dia 23 de setembro pela comunidade bi e por quem caminha com a…
Subversiva
♣ Reflexões, práticas e afetos que desafiam a norma. Aqui moram o anarquismo cotidiano, a política do corpo, a ética radical e os sonhos de um mundo liberto. ♣
Nem Tão Incendiário, Ainda Assim Inquietante
Eu estou “participando” do HRCYED 2.0 (Hardest Reading Callege You Ever Do 2.0), sem muita pretensão de conseguir concluir o desafio (quem sabe no 3.0). Um dos prompts de leitura é ler um lançamento em até 60 dias após a data de publicação, para cada mês do desafio. Para o mês de julho eu escolhi ler um livro de ensaios curtinho. Aliás, essa é minha estratégia para esse prompt, tendo em vista que são 12 livros no total, junto com uma infinidade de outras leituras e de um doutorado… Acabei de ler I Want to Burn This Place Down, da Maris Kreizman, lançado pela Ecco Press, selo da HarperCollins, em Julho de 2025. O livro se encaixa se encaixa na minha estratégia: upoucas páginas, leitura rápida para caber na TBR do mês. Expectativas x Realidade Embora o título sugira uma rebeldia explosiva, o tom encontrado é mais ponderado; um questionamento que não grita por atenção. Uma brasa quente que incomoda…
This Blog Kills Fascists
This machine kills fascists é uma frase icônica criada por Woody Guthrie, um músico folk dos Estados Unidos nos anos 1940. Bem, em plena guerra, inúmeros grupos antifascistas surgiram com diferentes formas de combater o fascismo. Seja realmente lutando, com as mãos e pegando em armas, seja através da propaganda política e claro, através da arte. E nesse movimento antifascista muitos artistas se destacaram por suas músicas, poesia, romances, contos, estética. A arte teve um papel fundamental para disseminar essa ideia fundamental de combate a uma das coisas mais nefastas que o ser humano já criou. Woody Guthrie foi um desses sujeitos. Ele, com um gesto simples, conscientizou e inspirou muitas pessoas a refletirem e se posicionarem contra os fascismos em marcha no planeta naquele período. Ele olhou para o seu violão e marcou nele uma frase indicando que aquele era a sua arma simbólica. Essa frase ficou tão famosa que é usada até hoje por pessoas ao redor de…
A higienização social já começou, “revitalização de porto alegre”
Hoje (23/03) pela manhã as famílias do movimento nacional de luta pela moradia – MNLM foram desalojadas do prédio que pertence ao PCC e abandonado desde a prisão dos membros da quadrilha. Cerca de 20 famílias formavam a ocupação 20 de novembro no centro de Porto Alegre. O processo se deu com +/- 600 policias cercando o prédio juntamente com atiradores de elite ao redor da ocupação, um número bastante desproporcional de policias por pessoa no prédio. Um verdadeiro abuso de autoridade e uma operação tática ridícula. Após a retirada os militantes se deslocaram para frente da prefeitura com objetivo de pressionar o prefeito Fogaça exigindo dele abrigo para estas famílias, para que elas não fiquem desabrigadas. Fiquei por lá até mais ou menos 2 da tarde apoiando a luta do pessoal, o prefeito daria uma resposta às familias no meio da tarde, mas não pude aguardar com eles, pois tinha de apresentar o projeto de análise do sítio RS-C-12…
Contra a McDonaldização
Todos sabemos que o mundo em que vivemos segue um caminho questionável. Os grandes centros empresariais, midiáticos, de poder, ditam o que é periferia, o que é diferente e o que deve ser adotado para se conseguir aceitação na “sociedade ideal”! Para isso, todos os meios são utilizados. O sistema não perdoa ninguém. Sou contra a McDonaldização do mundo, contra a massificação, uniformização, mentes vazias. Acredito que ser igual é não existir de verdade. O apego ao local, não sendo xenófobo nem anti estrangeirismo, é muito saudável e importante. Exercitar uma relação entre o local e o global e buscar referências é se tornar único.
Oaxaca é uma inspiração
Alguém que lê este blog por algum acaso já ouviu falar do que está acontecendo no México? A rebeldia Revolucionária que não aparece nos jornais burgueses? *Pois é, a estas horas a maldita trama moribunda do capitalismo que consiste em furtar, assassinar, humilhar e devastar seres humanos, natureza e cosmos, topou com uma imensa gama de rebeldias carregada com pensamentos e sentimentos corajosos, bem dispostos a frear essa imundice burguesa. Existe nesta rebeldia um conteúdo, uma substância, uma potencia ancestral renovada, não frágil e sim profunda: a luta de classes. Nada menos. A rebeldia revolucionária de Oaxaca não é “birra”, não é “surto”, não é grosseria ou pose. Não se trata de um acidente do único produzido por alguma contrariedade nos interesses de uma seita. Não é uma moda que tende a superar-se conforme transcorra o tempo, pouco ou muito. Não se trata de um “tic” próprio da gente ressentida como dizem algumas senhoritas secretárias de Estado vendedoras nupciais de…







