O Livro das Sementes é o primeiro volume da série Araruama, projeto de alta fantasia com temática indígena apoiado no Catarse. A proposta é muito ousada e original. Ian Fraser constrói um universo rico, fundindo mitos e costumes tupi-guaranis a referências de outros povos pré-colombianos. Os elementos fantásticos são inventivos e funcionam muito bem no contexto. A linguagem é trabalhada com termos próprios que remetem ao tupi-guarani, o que dá autenticidade à ambientação, mas também pode tornar a leitura mais hermética no início, até que o leitor se acostume (ou recorra ao glossário no final).
Por ser uma obra introdutória, a narrativa demora a engrenar: precisei de tempo para entender a mecânica e o ritmo, e, na minha percepção, essa construção inicial se estendeu mais do que o necessário para um livro com pouco mais de 200 páginas. As coisas começaram a se consolidar apenas após a metade da leitura.
O que não significa que a caracterização dos personagens não seja interessante. Só ficou um pouco confuso na primeira metade, pela forma como ele escolheu narrar os acontecimentos com os diferentes personagens nas diferentes comunidades. Eu gostei muito de cada uma das crianças, os mitanguarini, mas sem dúvidas minha favorita foi a menina que inventa o arco e prevê o futuro.
Apesar do ritmo inicial lento, a obra possui uma energia extremamente inventiva. É possível perceber o cuidado com a ambientação em cada palavra. Aliás o texto é muito bonito, poético. Acabei destacando muitas passagensa lindas. Inclusive consegui me emocionar com alguns momentos na segunda metade do livro, mesmo que no geral ele esteja apresentando os personagens e não tenha me apegado muito.
Como apoiadora da campanha no Catarse para o segundo volume, O Livro das Raízes, recebi também este primeiro exemplar. Na época do financiamento, o autor mencionou que a série seria composta por cinco livros no total, com três ainda a serem escritos. Mas até o momento não encontrei informações públicas sobre o andamento ou lançamento desses volumes adicionais.






