
No início de 2025 eu apresentei um sistema de organização que parecia que funcionaria. Um planner lindo que comprei e um caderno que usaria para as coisas mais específicas da escola, como informações das turmas, planejamento de conteúdos e avaliações, entre outras coisas. Parecia… Não funcionou. Parecia que tinha tudo que eu precisava, mas não tinha. E era cheio de frescuras que eu jamais utilizaria. Além disso, o planner era imenso para carregar na mochila todos os dias. Ele é maior que um A5. Não tenho como ter um planner para carregar e outro para ficar em casa, muito trabalho duplicado. Se eu trabalhasse em casa, talvez funcionasse. Mas a gota d’água que me deixou extremamente decepcionada foi quando encontrei uma lojinha da Shopee vendendo o arquivo digital do planner por um preço super em conta e fui avisar a dona da papelaria onde comprei o planner artesanal, exclusivo e tals. E ela me respondeu com um: ah sim, eu comprei dessa pessoa o arquivo para fazer os planners. Nossa, fiquei furiosa. Não falei nada, mas resolvi que nunca mais compraria nada dessa papelaria super hypada e até saí do grupo de aficionadas em planner e papelaria que estava participando e no qual indicavam a pessoa que nem faz o próprio layout. Que ódio. Faltou transparência. Anunciar algo como artesanal e esconder que na verdade comprou um design genérico é o fim.
Então, na metade de 2025 comprei uma capa estilo Filofax da Sônia Rondon. Linda. E junto comprei um furador específico para fichários de seis furos (que posso ajustar para o tamanho A5, Personal, Pocket e A6). Comecei uma espécie de Bullet Journal usando essa capa e desenhando as semanas inspirada no layout do Hobonichi Weeks (semana horizontal de um lado e página em branco do outro. E me adaptei muito bem a esse layout. Tanto que para 2026 eu fiz os meus próprios inserts usando o Canva e mandei imprimir os inserts de todo o primeiro semestre em uma gráfica.

Mas eu cometi dois erros. O primeiro foi a capa A5, que é muito grande para carregar todo dia. Aparentemente não aprendi com o primeiro planner. Precisava de algo menor. O segundo foi imprimir em uma folha de gramatura alta, o que deixou o planner super pesado. Então, em julho eu voltei para o sistema de “bullet journal“, desenhando as semanas. Até que resolvi comprar o planner perfeito, que eu sonhava desde 2012: o meu Filofax original!
Em 2012 eu cheguei a comprar um Filofax A5 roxo e me desfiz um tempo depois porque não tinha furador, era difícil medir a distância da furação e tinha preguiça de carregar um planner imenso. Olha o erro aí de novo… Mas agora eu usei minha capacidade de realizar sinapses e comprei um planner menor. Na verdade dois. Porque eu não consegui decidir entre um Personal e um Pocket… SHAME!

Nesse meio tempo eu resolvi começar um journal. Comecei a escrever em um caderno da A.Craft que tinha aqui, perdido. Escrevia esporadicamente, numa mistura de memory keeping, reflexão/desabafo com junk journaling. Usava uma capa também da A.Craft que comprei alguns anos atrás para guardar minhas tentativas de bullet journaling. Gosto do sistema de elásticos, mas queria um caderno mais bonito, com uma folha menos porosa e de gramatura mais baixa. Comprei um Midori A6 para testar até o final do ano. Assim que acabou o caderno da A.Craft (o meu primeiro journal completo da vida) comecei a escrever no Midori com a meta de ser mais consistente.
Outro desejo antigo era um Traveler’s Notebook. Acabei comprando uma capa pocket com a desculpa de ser para carregar o Xteink X4 e fiz um notebook para ser o meu brain dump.


E assim eu acabei com um sistema de quatro peças para me organizar e escrever: dois Filofax, um Traveler’s Notebook Pocket e um journal. Eles não são quatro versões da mesma coisa, porque cada um tem uma função diferente. E, principalmente, cada um resolve um tipo diferente de caos.
- Filofax Malden Personal
- Minha vida.
- Compromissos, tarefas, projetos, listas, acompanhamento e planejamento mensal/semanal.
- Minha vida.
- Traveler’s Notebook Pocket
- Minha memória externa portátil.
- Tudo que surge quando estou longe dos meus outros cadernos.
- Minha memória externa portátil.
- Filofax Saffiano Pocket
- Meu trabalho na internet + rotina
- Blog, redes sociais, YouTube e rotina da casa.
- Meu trabalho na internet + rotina
- Midori A6
- Minha cabeça.
- Diário, memórias, reflexões, desabafos e junk journaling.
- Minha cabeça.
Personal: o planner

O Filofax Personal é o centro do meu sistema de planejamento. É nele que eu organizo efetivamente as coisas da vida profissional, acadêmica e pessoal. É onde escrevo compromissos e tarefas. É também onde rastreio hábitos, organizo referências, listas e projetos. O sistema de fichário é maravilhoso, porque posso mover as coisas de lugar, inserir mais coisas onde faz mais sentido, não apenas depois de tudo que já fiz e remover com facilidade aquilo que não cabe mais ou já passou. Ele está organizado por seções:
Inbox
As coisas que chegam, mas ainda não têm lugar/data definidos ou só vão ser necessárias daqui a bastante tempo.
Future Log
Uma visão dos meses do ano e eventos/prazos que eu sei com bastante antecedência. Aqui tem muita coisa da escola, como início e final de trimestre, datas de recessos, semanas de prova e de recuperações, conselhos de classe e coisas do tipo.
Calendário mensal
O planner não veio com insert de calendário mensal e é uma parte que eu preciso e gosto muito de ter, pois nela eu consigo ter uma visão ampla das coisas que tenho e preciso fazer ao longo do mês. Então resolvi voltar às origens e desenhar à mão nas folhas quadriculadas de um caderno da Cícero que um dia serviu de bullet journal e estava pela metade. O primeiro mês que fiz isso foi agosto. Resolvi testar e fazer em uma página. Como previ, ficou pequeno demais. Então fiz os meses seguintes, até dezembro, numa visão em duas páginas.
Visão semanal
Essa é a seção em que a organização realmente acontece. Aqui marco os compromissos e as tarefas diárias nessa visão da semana em duas páginas que veio junto com o Filofax. Estou gostando bastante dessa visão semanal, mesmo que inicialmente eu tivesse a impressão de que não me adaptaria. Mas ainda quero voltar para a visão inspirada no Hobonichi Weeks. Já criei o arquivo inicial nas medidas corretas e quero testar a impressão no papel Tomoe River.
Listas e trackings
Aqui ainda estou experimentando formatos, então tem lista de bandas que quero ouvir, livros para ler e coisas do tipo. Ainda não tenho certeza se o tracking mensal vai ser o melhor para acompanhar meus hábitos. Estava acostumada com um mini tracking semanal na página não datada da visão que eu imprimi e usei desde o início do ano.
Pesquisa
Aqui é a parte acadêmica do planner. Eu pretendo investir em uma carreira acadêmica e o pós-doutorado. E para isso preciso ter uma organização para a pesquisa, os projetos e os artigos que pretendo escrever. Se não fizer isso, não escrevo nada com a rotina apertada na escola.
Contatos
Bem isso mesmo: inserts com nome, telefone, e-mail e endereços importantes.
Também existe uma seção de finanças. Ela está ali. Ela existe. Eu, entretanto, ainda não consegui transformar sua existência em efetivamente cuidar do meu dinheiro.
Decoração
Eu também decoro meu planner porque preciso do incentivo visual para ter vontade de usá-lo.
Traveler’s Notebook Pocket: a minha memória RAM portátil
O meu EDC (everyday carry) é o meu Traveler’s Notebook. Ele está na mochila e pula de uma bolsa para outra independentemente de onde vou. É nele que descarrego meu cérebro.


O TN não é exatamente um planner. Ele é o lugar intermediário. Dentro dele tem um notebook que eu fiz com as páginas daquele Cícero quadriculado abandonado que serve como um brain dump. Ou seja, todas as ideias, pensamentos ou coisas que preciso lembrar ou registrar em algum dos outros planners ou journal e não estou com eles naquele momento, ou estou sem tempo, escrevo ali um lembrete. Se uma ideia aparece, vai para o TN. Depois, em algum momento, eu processo essas anotações e mando cada coisa para seu lugar definitivo.
Ele também tem um insert que funciona como minha carteira. Nela carrego cartões, moedas e documento de identidade. Carrego também o meu Xteink X4 que veio com um ímã que fixei num insert de pastinha de cartão. E até novembro ele é a casa do meu passaporte do Caféstival – Rota das Cafeterias de Porto Alegre. Toda vez que vou numa cafeteria participante ganho um selo para colocar no passaporte e se completar até novembro tenho direito a um kit.
Saffiano Pocket: o planner que fica em casa
Ele é menor que o Personal, mas ele não sai de casa. No tamanho ele é mais portátil, mas perde na funcionalidade. Ele acaba sendo pequeno para ser o planner principal. É nele que organizo as coisas do blog. Ou melhor, é nele que comecei a organizá-las no final de julho. Isso quer dizer que o BEDA e o Blaugust só foi possível graças à existência desse pequerrucho vermelho.


Ele está dividido em três seções:
Internet
Com ideias de textos, vídeos e fotos para o blog e para o Instagram que uso para compartilhar minhas colagens. Planejamento de postagens, uma espécie de calendário editorial. Por enquanto ainda meio improvisado, pois estou usando o insert semanal que veio com ele. Não estou achando ruim, mas acho que tem como melhorar. Além disso, acho que faz falta uma visão mensal. Mas vou melhorando conforme vou usando, pois é só assim que consigo identificar os acertos, os erros e o que falta.
Futura loja virtual
Um spoiler de planos que eu tenho… Aqui tem as ideias.
Rotina da casa
Tarefas relacionadas a rotina de limpeza e organização da casa com inserts que eu organizei no Canva para manter tudo em ordem, na medida do possível. E o possível tem sido bem pouco.
Apesar de ser o menor dos meus dois Filofax, ele não é o mais portátil para mim no sentido prático. O Malden é o planner que preciso para a vida cotidiana; o Saffiano é um planner de trabalho criativo e organização doméstica, então ele fica em casa. E também decoro sempre que dá. Porque eu posso.
O journal

O Midori A6 quadriculado funciona como meu diário/journal, onde registro as coisas que aconteceram no dia, memórias, reflexões, desabafos e pensamentos, um pouco de junk journaling, decoração, um pouco de colagem. Tudo em um caderno só. Não tenho um caderno para memórias, outro para reflexões, outro para desabafos e outro para junk journaling. Tenho um só. Se aconteceu dentro da minha cabeça ou na minha vida e eu quero colocar no papel, ele pode entrar ali. Isso pode mudar quando esse caderninho acabar, tenho alguns planos e sinto que seria interessante separar um pouco as coisas. Mas, por enquanto, está funcionando super bem assim. Principalmente porque eu tenho sido bem consistente e consigo escrever um pouquinho quase todos os dias. Comecei ele no final de julho e já foi metade. É nele que consigo descarregar o estresse dos dias e, considerando certas situações dos meus dias, talvez esteja contribuindo diretamente para a redução dos índices de lesão corporal grave ao evitar que eu cometa agressões contra certas pessoas.
em construção
É tudo muito novo ainda. Por isso está longe de ser perfeito. Boa parte é uma espécie de experimento que parece promissor. O que significa que ainda não tenho um sistema consoloidado e muita coisa ainda pode mudar. E tem coisas que ainda preciso encontrar o meu jeito para fazer funcionar. Um exemplo disso é a seção de finanças do Personal. A seção existe, mas eu ainda não tenho ideia de como organizar a minha vida financeira. É o meu maior problema atualmente (no meu ecossistema e na vida, em certa medida). As listas e trakings ainda estão em fase de testes e pretendo retornar para os trackings semanais, que foi o que funcionou pra mim até agora. Assim que voltar para a visão que eu mais gostei, na virada do ano, retorno também para os trackings semanais, mas ainda acho que algumas coisas vão funcionar melhor se eu acompanhar a evolução mensalmente, então ainda tenho muito o que pensar sobre. Até o journal vai mudar um pouco no próximo ano. Estou muito feliz pela consistência em escrever no meu journal, tenho muitas ideias e é uma das partes mais gostosas do meu dia. Apesar de não querer complicar o que está funcionando, ainda acho que posso testar umas coisas diferentes quando o Midori acabar.
Uma das coisas mais interessantes é o fato de não ser necessário engessar um sistema e seguir ele à risca. Eu posso dar a minha cara para algo que já existe ou criar algo novo, acrescentar ou reduzir conforme as coisas vão aocntecendo. E no momento eu entendo que preciso acrescentar cadernos e sistemas para organizar cada coisa no seu lugar. A palavra chave é testar. Porque algumas coisas podem funcionar, outras podem se revelar péssimas ideias. E conforme a vida muda, a rotina se transforma, o jeito de registrar e organizar também precisa de retoques.
Meu sistema não é minimalista ou perfeitamente organizado. Muito menos consegui resolver todos os meus problemas com ele, mas as coisas estão ganhando um lugar para que eu possa contemplá-las e compreende-las para depois agir de alguma forma. Eu não quero controlar cada pedaço da minha vida, apesar de eu achar por muito tempo que era esse o objetivo da organização. Eu quero entender, processar e agir sem ficar extremamente sobrecarregada. E tem funcionado, porque eu tenho uma maneira de dar um lugar para as coisas: tarefas, ideias, projetos, pensamentos, memórias e os pequenos caos da vida.
Então, por enquanto, este é o meu ecossistema. Não é definitivo, com certeza. Mas é o que está minimamente funcionando para mim agora.








primeiramente, queria dizer que tô pelo celular e AMEI que tem um botão flutuante pra comentar que me trouxe direto aqui pra baixo!!! eu li tudo no navegador do inoreader e abri aqui só pra comentar, achei revolucionário.
segundamente: amo que você é minha referência de alternativas a coisas que eu uso (e-reader, journal, planner), basicamente uma mentora punk hahaha. não conhecia a filofax, eu comecei a usar o hobonichi ano passado e acabei não usando tanto, mas o formato de semana + página em branco é ótimo pra voltar a registrar diariamente as coisas da minha cabeça. acho que o único ponto negativo é que quando eu quero falar mais, não tem tanto espaço kkk mas no geral, funciona muito bem. esse ano eu comprei um similar genérico do weeks pela shopee, que não é datado, e tô amando — não ser datado me incentiva no sentido de não “perder” o caderno caso eu pule semanas sem escrever, continuo aproveitando todas as páginas.
quanto ao tamanho, eu AMO a6, uso há muito tempo, desde a época do bullet. ocupa pouco espaço e as folhas passam rápido, o que pra mim é ótimo porque traz a sensação de que o caderno tá sendo usado e me incentiva a usar mais. acho que o legal desse formato de fichário é que você pode escrever qualquer coisa e só categorizar depois, a liberdade é enorme hahahaha
amei ler sobre seu sistema, dani!!! beijocasss