
Mood: 🧐 Intrigued
🎵 The Rip - Portishead
Eu não estava planejando escrever sobre isso tão cedo, mas… chegou hoje (30/04) meu Xteink X4 e eu já tô completamente encantada. Ele é minúsculo. Sério. E é bem básico também. Como pontos negativos, ele não tem toque na tela, não tem mil configurações, não tem luz na tela, não é possível fazer anotações, não tem dicionário. O que chama a atenção nele é mesmo o tamanho e o preço. O meu é branco e tem um charme meio “brinquedo tecnológico”, só que funcional.
Ele chegou no final de abril, mais precisamente no dia 30. Demorou um pouco mais de um mês pra vir da China. Acabei comprando dois e-readers em março, em um surto: esse Xteink X4 e o Kobo Libra Colour (que ainda não chegou). A compra foi meio que por necessidade: meu Kindle entrou num estado caótico de “toque fantasma” desde junho do ano passado e foi ficando simplesmente impossível de ler conforme o tempo foi passando. Testei tudo: orientações da Amazon, tutoriais, resets. Nada resolveu. Inclusive me aventurei e fiz um jailbreak no bichinho e, por um tempo, ele ficou perfeito. Acabei percebendo que o Kindle é, na verdade, uma porcaria. O KOReader é muito mais divertido e customizável.
Então, nesse surto, resolvi tentar outras opções: uma mais completa (o Kobo, que vai ser minha primeira experiência com leitor colorido de e-book) e outra mais simples e portátil.
Falando bem a real, eu estaria muito bem servida com o Kobo. O substituto perfeito (mas caro, que está demorando muito mais para chegar dos Estados Unidos). Alguns dias após comprar o Kobo eu acabei cedendo ao desejo de ter esse mini e-reader, afinal o algorítimo inundou meu YouTube de vídeos sobre ele. Também teve um fator bem pragmático: o preço. Ele é muito mais barato do que um e-reader mais conhecido. Eu paguei R$ 390,00 no Mercado Livre. Vem da China, chega todo em chinês, sem muita mediação… mas, pelo preço, é difícil não achar ótimo.
Primeiras impressões (dia 1)
É um e-reader extremamente básico, e eu digo isso sem julgamento. Mas tem uma coisa difícil de explicar: dá vontade de usar. A portabilidade pesa muito aqui, porque ele cabe em qualquer lugar e parece feito para sair de casa junto, sem esforço. Ele vem com uma película fosca e dois anéis de ímã para colar em qualquer lugar e depois é só encostrar o Xteink que ele fica preso. Minha ideia é ter uma capa de Traveler’s Notebook no tamanho passaporte para deixar um caderninho e ele dentro.
E tem também um fator meio inesperado: uma certa nostalgia. Ele serve basicamente para uma coisa só: ler. Não tem distração, não tem excesso, não tem mil funções disputando atenção.
Ele também não é touch screen, o que no começo é estranho depois de anos usando o Kindle. Os botões parecem meio confusos, eu me perdi algumas vezes, apertei coisa errada… mas me acostumei rápido. E tem algo curioso nisso: clicar fisicamente para virar a página cria uma relação diferente com a leitura, mais concreta, quase tátil mesmo. Ainda estou me ajustando ao ritmo dele — às vezes demora um pouquinho para abrir um livro (não sei se é o aparelho ou algum arquivo mais pesado), mas nada que realmente atrapalhe.

Pequenos perrengues iniciais (Linux + firmware)
Decidi instalar o CrossInk porque uma coisa ficou bem evidente: ele é básico até demais. Eu entendi muito rápido por que tanta gente reclama: alinhamento estranho, fonte ruim, a experiência de leitura meio… feia. E não precisei passar uma semana usando para chegar nessa conclusão, porque já tinha visto uma infinidade de vídeos mostrando exatamente esses problemas (e também possíveis soluções). Até dá para contornar convertendo os e-books para outros formatos, mexendo em XTC, essas coisas… mas, sinceramente, é um processo chato demais: tirar o SD, conectar no computador, converter, passar arquivo, colocar de volta. Fiquei com a sensação de que tinha um jeito melhor de fazer isso. E foi justamente isso que me levou para o CrossInk. Boa parte do que descobri, foi por meio de vídeos no YouTube e em fóruns e comunidades (especialmente Reddit), porque material organizado sobre ele ainda é bem escasso.
A instalação em si não é difícil, mas também não foi direta, principalmente por eu usar Linux e não Windows. Ele vem com um firmware para atualizar, o que já deixa ele melhor, mas tem uma comunidade imensa que trabalha para deixar esse pitoquinho mais funcional. Então tem um firmware chamado Crosspoint e algumas variações dele, criados por essa comunidade. Inicialmente eu decidi instalar o CrossInk, o não foi exatamente difícil, mas também não foi direto: só consegui fazer funcionar pelo Google Chrome, o sistema não liberava automaticamente o acesso USB e eu precisei mexer em permissões via terminal. Em alguns momentos, o Xteink até conectava, mas simplesmente não aparecia como opção para instalar.
Ficou claro que o problema era fazer o sistema “deixar” ele acontecer. Depois que entendi isso, resolveu rápido. Mas até chegar ali não é nada intuitivo, especialmente se você nunca mexeu com firmware via navegador e acesso direto ao hardware.
O que realmente ajudou foi seguir um tutorial em vídeo, porque ter alguém mostrando o caminho faz muita diferença quando a documentação é meio espalhada. E valeu a pena: depois que instala e reinicia, muda bastante. Não vira um aparelho sofisticado, mas fica muito mais confortável de usar. Dá uma sensação de que destravei o potencial dele.
Mas depois resolvi instalar o Crosspoint mesmo.
Integração com biblioteca do Calibre
Outra coisa que mudou completamente a experiência: integrar com o Calibre. Instalei o plugin do CrossInk e comecei a mandar livros direto e sem precisar de cabo USB. Isso já facilitava minha vida com o KOReader (mesmo antes do KOReader eu já upava arquivos para o Kindle usando o Calibre, mas precisava do cabo). Esse plugin resolveu uma das coisas que mais me incomodam em e-readers fechados (oi Kindle?): a burocracia para passar um simples arquivo pra ele.
Agora ficou simples o suficiente para eu realmente usar, que no fim é o que importa.
O que eu já mexi até agora
Ainda bem básico, mais ajustes de conforto do que qualquer coisa mais avançada: mexi na fonte (o que já melhora muito a leitura direta), organizei os arquivos e ajustei a navegação entre capítulos. Nada muito profundo, mas suficiente para deixar tudo mais fluido no uso diário.
Algumas configurações que já fizeram diferença:
- Clique curto no botão de power (IGNORE) — evita ativar sem querer quando aperto errado ou quando tá solto na bolsa e aperta sem querer o botão;
- Pressão longa para pular capítulo (ON) — ajuda muito para navegar mais rápido entre trechos;
- Screensaver (CUSTOM) — troquei a capa do livro por imagens minhas.
Screensaver (a parte divertida)
A parte que eu mais gostei foi personalizar o screensaver. Eu segui basicamente um tutorial da pessoa maravilhosa por trás do canal Project Blue X e fiz a versão com múltiplas imagens, então cada vez que o aparelho “dorme”, aparece uma diferente.
É um detalhe pequeno, mas muda completamente a relação com o objeto. Fica mais com a minha cara.

Primeira impressão geral
Como eu comprei com o propósito de ser a versão mais portátil e sem firulas do e-reader principal, que vai ser o Kobo, achei que ele valeu super a pena. Pelo preço, ele é realmente ótimo. Agora, se for para ser o leitor principal, aí acho que ele deixa muito a desejar e a frustração vai ser certa. Além disso, a comunidade ao redor dele é forte e sempre está criando e melhorando coisas para ele.
Ainda é cedo para qualquer veredito, mas eu já gosto muito dele. Não porque ele seja incrível, mas porque ele é simples, leve e direto ao ponto.
E talvez seja exatamente isso que eu tava precisando agora.








Nossa, eu super ia gostar de ter um treco desse também. Fico paquerando um de outra marca justamente porque parece um celular, mas é só para livros.
Adorei essa sua aventura. Mostra o Kobo pra gente quando chegar?
Um abraço!