
Tenho até vergonha de vir aqui em plano dia 30 de abril querendo fazer retrospectiva…
Uma das minhas atividades favoritas no início de cada ano é pensar sobre as leituras do ano anterior. Fazer listas, avaliar o que consegui alcançar e toda aquela coisa que muita gente faz. Mas a vida, ah a vida… Ela te atropela! Eu quis fazer um texto completo usando todas as métricas da planilha que uso. Quis também usar as estatísticas do Storygraph e do Notion. No entanto, enrolei mais do que o imaginado. Então, sim, é final de abril e continuo fazendo retrospectiva nesse blog.
Mas chega de enrolação! Em 2024 li relativamente bastante. Considerando que tô fazendo meu doutorado e trabalho 40 horas semanais na escola pública. Mas mesmo assim consegui bater a meta. Li livros que me fizeram refletir profundamente, outros que me arrancaram risadas, e também algumas decepções. Vamos ver o que de mais marcante aconteceu nas minhas leituras no ano de 2024?
1 – ALGUNS NÚMEROS:
📖 Livros lidos:
Aos 45 do segundo tempo consegui bater a meta de 50 livros lidos em 2024. Leituras que me levaram a lugares incríveis.

🗓️ Leituras mensais:
Dezembro foi o mês que eu mais li. Corri atrás do tempo perdido e completei 13 livros. Já o pior mês do ano foi maio. A tragédia que ocorreu aqui no Rio Grande do Sul foi terrível e não tive cabeça para terminar nenhuma leitura.
📚 Formatos:
Não tem jeito, tenho muita dificuldade com audiobook. E eu sempre tento ler o máximo de livros não lidos da minha estante. Então faz muito sentido o formato mais lido ser o livro físico (68%, somando as brochuras e as edições de capa dura foram mais de 30).
Ainda assim, eu leio bastante e-book (22%). A facilidade de carregar o leitor de livros digitais para ler os calhamaços não tem comparação.

📜 Gêneros literários lidos:
De tudo um pouco! Li desde ficção histórica até fantasia, passando por muito romance e literatura contemporânea. Mas o gênero mais lido foi a ficção literária, contabilizando 26% do total das leituras. Além disso, li muito mais ficção que não ficção. Os textos teóricos que leio para a tese geralmente são artigos ou capítulos, daí ficam de fora da contagem…
🌎 Países lidos:
Este ano viajei pelo Brasil, pela América Latina, e dei umas escapadinhas para a Europa e os Estados Unidos com minhas leituras. Países lidos: Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Argentina, Canadá, Romênia, Nigéria, Coreia do Sul, França, Alemanha, Bélgica, Portugal, Japão, Moçambique e Suécia. Mas os três mais lidos, na ordem, foram Brasil, Estados Unidos e França. Preciso diversificar mais a origem das e dos autores que leio. Sair mais dos Estados Unidos e da Europa.
✍️ Autores lidos:
Tive o prazer de conhecer autores novos e explorar o trabalho de grandes nomes da literatura. Mas o destaque vai para a diversidade de vozes que encontrei.
A autora mais lida foi Diana Gabaldon. Estou lendo Outlander e a série spin-off, Lord John Grey.

📌 Autores NOVOS lidos:
Muitos! Mas destaco Patti Smith, Samanta Schweblin, Natalia Borges Polesso, Diana Gabaldon, Annie Ernaux e Jacqueline Harpman. Autoras que me emocionaram e me fizeram pensar muito sobre as questões que nos afligem.
🧑🤝🧑 Gênero de autores & ✊🏽BIPOC:
A minha meta de ler mais mulheres virou agora a meta de ler 50% de autoras mulheres. Ainda quero melhorar a leitura de pessoas não binárias e pessoas trans. Infelizmente ainda leio muito mais pessoas brancas (incluindo pessoas lidas como brancas no Brasil e na América Latina). Tenho que melhorar muito nesse ponto.


🔄 Releituras?
Nenhuma. Quase não consegui ler, quem dirá reler. Uma pena.
2 – LIVROS QUE SE DESTACARAM
📏 Livro mais curto que li:
A paixão de Manuel Garcia, de Florbela Espanca. Apesar de ser uma leitura rapidinha, deixou ecos delicados, como uma memória antiga sussurrando ao fundo.
📚 Livro mais longo que li:
Voyager, de Diana Gabaldon. Não é um livro pequeno, mas que leitura maravilhosa! Mesmo com suas mais de mil páginas, foi como abrir uma carta antiga e interminável, daquelas que a gente torce para nunca terminar de ler.
📖 Finalizei alguma série?
📖 Comecei alguma série?
Lord John Grey, de Diana Gabaldon, a série spin off de Outlander. Já li três livros e hoje mesmo comecei mais um. Que universo maravilhoso essa mulher criou!
⏳ Livros que comecei a ler em 2024 e ainda não terminei?
Por um grande milagre não deixei nenhum livro para trás. Acho.
3 – MELHORES E PIORES DO ANO
🏆 O melhor livro do ano?
Não tem como escolher só um. Cada um desses livros acendeu uma faísca diferente. Teve dia que caminhei com Patti Smith pelas bordas do cotidiano. Em outros fui espionada por Kentukis ou atravessada pelo tempo em Voyager. Gênero Queer me abraçou com coragem. Amora me fez rir e doer com a delicadeza de quem conhece bem as fissuras. E I Who Have Never Known Men ficou pairando, como um silêncio que não se desfaz. Foram encontros intensos demais para caber em um só favorito.






📖 A melhor continuação?
Voyager (Outlander, #3), de Diana Gabaldon. Ler Voyager foi como mergulhar de olhos fechados num mar conhecido — profundo, imprevisível e impossível de largar.
😞 Livro que mais me decepcionou este ano?
My Sister, the Serial Killer, de Oyinkan Braithwaite. Prometia um soco, mas entregou um empurrãozinho. Ficou a sensação de que podia ter ido muito mais fundo.
🌟 Novo autor favorito?
Samanta Schweblin. Schweblin virou favorita porque me deixou paranoica com pelúcias espiãs e ansiosa por saber o que, afinal, está envenenando tudo ao redor. Mesmo sem respirar direito, segui lendo como quem não consegue desviar o olhar de um incêndio.
💙 Personagem favorito do ano?
Foi impossível escolher só um. A protagonista sem nome de I Who Have Never Known Men me impressionou com seu silêncio resistente. Ela tem uma força bruta escondida na escassez. Já Claire e Jamie, em Voyager, são velhos conhecidos. Mas nem por isso deixaram o posto de favoritos. Eles são aquele tipo raro de casal que cresce junto com a gente: intensos, imperfeitos, apaixonados e teimosos do melhor jeito. Três personagens muito diferentes, mas que me fizeram ficar, pensar e sentir como se eu também estivesse vivendo tudo com eles.
😡 O personagem odiado do ano?
Não cheguei a odiar, mas a protagonista de My Sister, the Serial Killer me tirou do sério. A bonita aguentou demais da irmã. Passou pano como se fosse toalha de mesa e ainda fez papel de trouxa sem nem piscar.
🎨 O livro mais bonito que comprei ou ganhei no ano de 2024?
O ano de 2024 foi um ano de poucas compras literárias. Nenhuma se destacou como uma edição bonita, com detalhes impressionantes ou algo do tipo.
4 – LISTA COMPLETA DE LIVROS LIDOS
Aqui deixo a lista com as minhas leituras, como sempre faço, para quem quiser conferir.
- Torto Arado – Itamar Vieira Junior
- Análise de Conteúdo – Laurence Bardin
- O Mundo de Sofia – Jostein Gaardner
- O Médico e o Monstro – Robert Louis Stevenson
- D.I.V.A.S. Brasileiras – Guilherme Smee
- A mulher em mim – Britney Spears
- Os Filhos de Húrin – J. R. R. Tolkien
- Before the Coffee Gets Cold – Toshikazu Kawaguchi
- Complô contra a América – Philip Roth
- Registros – Glauber Lopes
- A Brincadeira Favorita – Leonardo Cohen
- ¿Oyes el río, Elin? – Gudrun Pausewang
- Ghost World – Daniel Clowes
- Fomos maus alunos – Gilberto Dimenstein
- Um livro dos dias – Patti Smith
- My Sister, the Serial Killer – Oyinkan Braithwaite
- Distância de resgate – Samanta Schweblin
- Gênero Queer: Memórias – Maia Kobabe
- A Morte e a morte de Quincas Berro D’Água – Jorge Amado
- Cães Negros – Ian McEwan
- O mito do mito – Rita Lee
- Amora – Natalia Borges Polesso
- Breve História do Mito – Karen Armstrong
- Voyager (Outlander, #3) – Diana Gabaldon
- Happening – Annie Ernaux
- A Vegetariana – Kang Han
- O centauro no jardim – Moacyr Scliar
- A paixão de Manuel Garcia – Florbela Espanca
- Lord John and the Hellfire Club (Lord John Grey, #0.5) – Diana Gabaldon
- Lord John and the Private Matter (Lord John Grey, #1) – Diana Gabaldon
- O regresso do filho – Florbela Espanca
- Lord John and the Succubus (Lord John Grey, #1.5) – Diana Gabaldon
- O Inventário das Coisas Ausentes – Carola Saavedra
- Heroínas – Claude Cahun
- Caderno de memórias coloniais – Isabela Figueiredo
- Kentukis – Samanta Schweblin
- Pétala – Olívia Pilar
- I Who Have Never Known Men – Jacqueline Harpman
- D. João Carioca: a Corte Portuguesa Chega ao Brasil (1808-1821) – Spacca
- Asterix Entre Os Helveticos – René Goscinny
- O Jardim das Fadas Selvagens – Mireli Castilhos Oliveira
- Cemitério de Pianos – José Luís Peixoto
- Pétalas – Gustavo Borges
- Até o Fim – Eric Peleias
- Asterix Legionário (Asterix, #10) – René Goscinny
- O Presente de César (Astérix, #21) – René Goscinny
- A 25ª Hora – Constantin Virgil Gheorghiu
- Os contos de Beedle, o Bardo – J. K. Rowling
- Corpo público – Mathilde Ramadier
- Tarântula – Bob Dylan
Que 2025 traga mais páginas inesquecíveis, menos decepções literárias e, quem sabe, um pouco mais de tempo pra não deixar a retrospectiva pra abril. Mas se deixar, tudo bem também. O importante é ler, viver e voltar para contar. Se você também tá fazendo retrospectiva em pleno outono, me abraça.
✨ E vocês? Quais foram os livros que marcaram 2024 para vocês? Tiveram alguma decepção ou uma grande surpresa literária? Quero muito saber nos comentários! Vamos compartilhar nossas histórias de leitura! 📚💬





