A Single Man, ou Direito de Amar aqui no Brasil, é um filme simples, porém muito inspirador. É bonito, muito bem feito, com um roteiro sem muitas complicações. Um excelente trabalho do estreante Tom Ford. Quem diria que o estilista ícone americano entraria no mundo do cinema e com uma estreia tão bacana. A história do filme é baseada no influente romance de Christopher Isherwood, cujo material já foi fonte para o premiado musical “Cabaret” e retrata a maneira como o inglês George Falconer, professor universitário na ensolarada Califórnia (onde criou raízes) lidou com um acontecimento traumático em sua vida. Em 1962, dilacerado pela morte recente de seu amante de longa data em um trágico acidente de carro, ele luta para suportar a dor da perda de seu companheiro e manter as aparências na conservadora sociedade americana. Se Tom Ford fez um bom trabalho na direção, Colin Firth o faz ainda melhor interpretando o protagonista. Dando toda a sensibilidade necessária…
Por Quem os Sinos Dobram (Ernest Hemingway)
Trata-se de um romance, escrito a partir das experiências pessoais de Hemingway durante sua participação no conflito ocorrido de 1936 a 1939 na Espanha, conhecido como Guerra Civil Espanhola. O romance conta a trajetória de Robert Jordan, um americano que luta na Espanha como miliciano, coisa bastante comum (o próprio autor participou assim da guerra). O período de tempo que compreende a narrativa é de apenas quatro dias. Jordan parte em uma missão para o território dominado pelos fascistas a fim de explodir uma ponte. O objetivo era atrasar as tropas inimigas quando da ofensiva dos republicanos. Nesse ínterim, ele encontra um bando de guerrilheiros republicanos que vivem em uma caverna em pleno território inimigo e que a bastante tempo não pratica nenhum ato de guerrilha e estão acomodados com a situação. O bando é liderado por Pablo, que não gosta nem um pouco da idéia de explodir a tal ponte, pois isso significaria a necessária saída de todos daquele…
Divã, de Martha Medeiros
Divã é a primeira novela de Martha Medeiros e conta a história de Mercedes, com mais de 40 anos, casada, com filhos que parte para uma experiência nova: fazer análise. O formato do livro é interessante, são fragmentos das falas da protagonista com seu analista. Um monólogo, cada capítulo é um fragmento de uma sessão. No entanto, o formato anula a possibilidade de conhecermos um pouco mais sobre quem ela fala, eles aparecem apenas na sua fala, de acordo com o que ela pensa e os sentidos que atribui aos outros. Consegui me identificar com alguns parágrafos, como quando ela fala do medo de estar sozinha (no sentido físico) e sendo espreitada por almas penadas. Mas parece que o livro todo é feito para que nos identifiquemos com Mercedes, um parágrafo para cada leitora. Mercedes é uma personagem que tem características de todas as mulheres. E não falo isso de modo positivo, como se ela fosse um arquétipo da mulher…
Morre José Saramago (1922-2010)
Acabo de receber a triste notícia do falecimento do Nobel de Literatura José Saramago. Morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila. Um dia bastante triste para mim e para todos aqueles que o leram. Mas também para todos aqueles que amam literatura e não dispensam um bom livro. Lamento profundamente a morte deste grande escritor.
VI Fantaspoa
Julho é mês de Fantaspoa! De 2 a 18 de julho, ocorrerá a sexta edição do festival, serão exibidos 64 curtas e 74 longas-metragens, totalizando 138 obras na programação. Os filmes exibidos são do gênero fantástico (fantasia, ficção-científica, horror e thriller) e o grande objetivo é agradar não somente fãs desses gêneros específicos, mas apreciadores de cinema em geral. O site do festival já está no ar com a programação completa, as atividades paralelas e as sessões comentadas. O valor dos ingressos será de R$ 5,00 (cinco reais) para todas as sessões de longas-metragens e R$ 2,00 (dois reais) para as sessões de curtas-metragens.Super em conta. A sessão de abertura do VI Fantaspoa será realizada às 19 horas no Cine Bancários, no dia 2 de julho, com exibição do filme “É Preciso Amar a Morte”, com a presença do diretor alemão Andreas Schaap. O Fantaspoa é uma oportunidade única para ver filmes que simplesmente nunca entrariam no roteiro dos cinemas…
Ainda ando nesta estrada
Depois de ter ficado completamente arrasada com o livro A Estrada (Cormac McCarthy), resolvi partir para a versão cinematográfica. E não me arrependo. John Hillcoat conseguiu transpor o clima do livro para a tela, e isso não é fácil. Claro, o filme é bem simples, uma adaptação no melhor sentido da palavra: muito fiel à obra e sem nenhuma “viagem” do diretor. E Viggo Mortensen está perfeito como pai. Parece mesmo que McCarthy escreveu o papel pensando em Mortensen para a adaptação cinematográfica, viu Anica?! John Hillcoat dirige com fervor emocional e utiliza composições simples para mostrar sua sensibilidade em relação à obra literária. Não vou nem entrar no mérito de qual é melhor, se o livro ou o filme, porque não gosto destas comparações. Só posso dizer que o filme é muito bom e que é uma experiência muito bacana ver o filme se já leu o livro. O filme consegue ser tão devastador quanto o livro. Ambos suscitam…




