Minhas impressões sobre Babas de Caracol: um romance com ritmo lento, centrado em personagens imperfeitos, que acerta na história dentro da história, mas escorrega na investigação do autor fictício.
Demorei mais de dez anos para finalmente para finalmente abrir Babas de Caracol, da autora espanhola María García-Lliberós, que comprei numa viagem à Argentina. Comprei esse livro logo após entregar meu TCC, que foi justamente sobre a Guerra Civil Espanhola. Me interessei na hora quando vi que o tema aparecia na sinopse. O fato de ser uma autora espanhola me atraiu ainda mais. Apesar de a narrativa não se passar majoritariamente nesse período, ele aparece de forma significativa, quase como uma sombra que atravessa os personagens. É um momento histórico que marca a protagonista e influencia diretamente eventos importantes da trama. Esse pano de fundo histórico dá profundidade às memórias e às relações construídas no livro. Foi bonito perceber como essa memória coletiva (e traumática) se entrelaça com as histórias pessoais que o livro costura.
Li no original em espanhol, e a escrita da autora é realmente boa e delicada, fluida, especialmente no início. A premissa me encantou de cara. Uma história na história, um autor fictício escrevendo sobre a história de Berta, personagem densa e cheia de camadas. A escrita é boa e, como li em espanhol, pude curtir a prosa original da autora.
O ponto alto? Sem dúvida, a trama da Berta. Já a investigação conduzida pelo autor fictício… nem tanto. À medida que o livro avançava, o ritmo desacelerou demais. As partes que narram a investigação do autor ficaram meio truncadas, com momentos arrastados.
A relação repentina dele com a veterinária me incomodou. Apareceu do nada, pareceu forçada e um tanto caricata. O tipo de cena que grita “homem escrevendo mulher”, mesmo vindo de uma mulher autora.
O foco nas falhas dos personagens é o que realmente sustenta o livro. Ninguém é heroico aqui, e isso é um ponto positivo. Entre altos e baixos, a experiência foi interessante. A leitura foi lenta, centrada em personagens imperfeitos e suas memórias fragmentadas. Não virou favorito, mas valeu a leitura.

Pedro Ribera, escritor em crise, recebe a herança de Berta Astomi Ferrán, uma desconhecida, com a condição de escrever um romance baseado em sua vida. Ao investigar sua história, descobre que Berta foi injustiçada e viveu isolada após uma calúnia. A narrativa alterna entre o passado de Berta e o presente de Pedro, que, ao reconstruir a vida da mulher, também repensa sua própria trajetória e busca um novo rumo.





