Atravessou a rua com pressa, sem nem olhar para os lados. Caminhou de encontro aos transeuntes e seguiu afobada. Com o coração na mão. Entrou naquela livraria pequenina na esquina. Encontrou quem procurava. Olhou, se aproximou e abriu timidamente a boca para dizer “oi”. A resposta veio com surpresa. Oi! Beijaram-se. Nada mais importava.
Ficção
andanças [3]
Na madrugada uma chuva fina começa a cair lá fora, Rubens cai no sono. Em meio a sonhos estranhos envoltos em um lençol branco, ele acorda. O apartamento continua vazio. Em um rompante levanta e vai até a geladeira e bebe água, um gole atrás do outro. Depressa. O Sol não demoraria a chegar e um novo dia batia a porta. Ele senta em uma cadeira e fita demoradamente a cesta de pão vazia. O dia vai raiando. Ele veste um casaco e sai, desce as escadas devagar e quando chega lá embaixo se dá conta de que esqueceu as chaves do portão do prédio. Volta para o apartamento, e ao chegar lá em cima desiste de sair. Não havia motivos para sair, eram seis da manhã. Não haveria nada aberto, a não ser os botecos da cidade com um bando de bêbados atazanando. Contenta-se com algumas bolachas escondidas no fundo do armário. Estavam velhas. Também pudera, elas eram do…
Chuva
Não venha me dizer que pode viver de Sol. Porque hoje está chovendo e não há sinais de que vá parar tão cedo!
Pé piso.
Pra que lado eu vou? Sigo em frente? Volto atrás? Ou será que só importa o deslocamento?
andanças [2]
Olha ao redor e não vê ninguém. Não tem viva alma a lhe esperar. E lá dentro ele sabia que era tudo o que queria. Caminha até a cozinha. Abre a geladeira. Pega uma garrafa de vinho branco, serve uma taça e bebe tudo em um gole como se aquela fosse a última porção de vinho do mundo. Dirige-se para o sofá liga o rádio em alguma estação qualquer e deita com o olhar perdido na noite que se desvendava pela janela aberta. Nenhum som, nem mesmo da música a tocar ou dos carros na avenida em frente a seu prédio lhe chama a atenção. Desliga o rádio.
Love story
— Grrrrrrrrrrrr. — Socorro! Socorro! — Não minha senhora, eu não queria assustá-la, eu vim aqui declarar meu amor por você. — Socorro! Socorro! … Anh? — Isso mesmo, eu estou apaixonado, perdidamente apaixonado senhorita Helena Maria. — Óh! Mas como pode ser, eu nem o conheço. — Permita que eu me apresente: Sou Antônio Augusto, contador e nas horas vagas faço pontas como animal desvairado que come gente nos filmes de Hollywood, às suas ordens. — Muito prazer senhor Antônio Augusto. Como já sabe meu nome não é necessário que me apresentes, não é? — É claro madame. Posso cometer a ousadia de lhe convidar para um café? — Claro.





