
Na madrugada uma chuva fina começa a cair lá fora, Rubens cai no sono1. Em meio a sonhos estranhos envoltos em um lençol branco, ele acorda. O apartamento continua vazio. Em um rompante levanta e vai até a geladeira e bebe água, um gole atrás do outro. Depressa. O Sol não demoraria a chegar e um novo dia batia a porta. Ele senta em uma cadeira e fita demoradamente a cesta de pão vazia. O dia vai raiando. Ele veste um casaco e sai, desce as escadas devagar e quando chega lá embaixo se dá conta de que esqueceu as chaves do portão do prédio. Volta para o apartamento, e ao chegar lá em cima desiste de sair. Não havia motivos para sair, eram seis da manhã. Não haveria nada aberto, a não ser os botecos da cidade com um bando de bêbados atazanando. Contenta-se com algumas bolachas escondidas no fundo do armário. Estavam velhas. Também pudera, elas eram do tempo em que Alice ainda frequentava aquele lar. Quando aquele lugar ainda poderia ser chamado de lar. Mas já fazia muito tempo que ela não aparecia. Comeu algumas e guardou o resto. Não as colocou fora. Talvez por ter ali, naquele pacote, um pouco de esperança de que tudo poderia voltar a ser como antes.
- Leia também a primeira e a segunda parte deste conto em retalhos. ↩︎




