Eu participo de um clube do livro com alguns amigos. Nesse bimestre o livro escolhido foi Suicidas, romance de estreia de Raphael Montes. Não tenho muito interesse pelo gênero, mas resolvi dar uma chance, já que tanta gente fala muito bem do autor. A minha impressão é de que o autor parece tentar fazer de seu livro muitas coisas ao mesmo tempo: um thriller psicológico, um jogo de detetive, uma crítica social, um experimento literário. Mas, na minha leitura, acaba tropeçando nas próprias pretensões e falha miseravelmente nelas todas. O livro apresenta uma proposta até instigante: um grupo de jovens de classe média alta se reúne para um pacto suicida. Os mistérios e reviravoltas da história são revelados por meio de gravações e relatórios policiais. A premissa rapidamente se perde em cenas que apelam mais para o choque pelo choque. Elas não constroem nenhuma profundidade psicológica ou uma crítica consistente. O gore é apenas um recurso de impacto vazio. Parece…
Literatura Brasileira
Lendo o que a cidade fala
Acabei de ler Delírio de Damasco, da Veronica Stigger, e fiquei com a sensação de que entrei num ônibus lotado e fui obrigada a ouvir todos os diálogos que normalmente ignoramos, mas, desta vez, sem poder desviar o olhar. Conheci o livro depois de visitar o blog da Gabes, o Fugi de Casa. Li um post ótimo em que ela falava sobre a obra da Veronica Stigger e fiquei morrendo de curiosidade. Resolvi começar por esse, dos vários que ela linkou como sugestão. O livro é a reunião de frases que a autora coletou de fragmentos de conversas ouvidos na rua, de familiares ou amigos. Antes de virar este pequeno livro, foi uma intervenção na Mostra Sesc de Artes, em São Paulo. O espaço designado para o trabalho foram os tapumes da construção da unidade da Rua 24 de Maio, no centro da cidade. As frases são curtas, cortantes, muitas vezes absurdas, carregadas de ironia e de uma crueza que…
O Continente vol. 2 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo
No segundo volume de O Continente a saga das famílias Terra e Terra Cambará continua. Os capítulos abrangem os períodos de 1850 a 1895. Bem menos do que no primeiro tomo, que vai de 1750 a 1836, mais o ano de 1895 com O Sobrado. A estrutura do livro é a mesma do primeiro volume, trechos de O Sobrado intercalam os capítulos A Teinaguá, A Guerra e Ismália Caré. Três grandes capítulos que, ao contrário dos integrantes da primeira parte da obra, não são tão independentes e, portanto, não dariam muito certo como publicações avulsas (lembra que Ana Terra e Um Certo Capitão Rodrigo foram lançados como livros?). O tom épico ainda é marcante, porém diferente do primeiro tomo, em que a atmosfera da narrativa era mais vibrante e vigorosa, o segundo volume possui um ritmo mais vagaroso e marcado por perfis e guerras psicológicas. No entanto, mesmo com ritmos distintos, ambos são livros incríveis e completam-se recíproca e perfeitamente….
Literatura nacional em destaque na editora Dracaena
A Literatura Nacional vem ganhando espaço nas estantes dos novos leitores. Muitos estão olhando para autores consagrados, clássicos e contemporâneos, mas estão também de olho nos novos autores. E os novos autores parecem estar de olho nos novos leitores. É inegável o investimentos em escrever histórias voltadas para os gostos das gerações atuais. E dois autores da nova geração que publicaram pela editora Dracaena concederam entrevistas para dois blogs bacanas: Danilo Barbosa do Blog Literatura de Cabeça entrevistou Roque Neto autor do livro Porque eu amei. Gostou da entrevista e quer comprar o livro Porque eu amei: Saraiva | Cultura | Dracaena. Já a Márcia Rios do Blog Apaixonada por livros entrevistou Hermes M. Lourenço, autor do livro Faces de um anjo. Gostou da entrevista e quer comprar o livro Faces de um anjo: Saraiva | Cultura | Dracaena. O escritor José Oliveira lançará O Alma pela Editora Dracaena. Depois de publicar dois livros (O Réu dos Sonhos e Amargo Pecado), pela editora Novo Século, o escritor José Oliveira…
O Continente vol. 1 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo
O primeiro volume de O Continente é a abertura da obra prima de Erico Verissimo, O Tempo e o Vento (publicado em três romances: O Continente, O Retrato e O Arquipélago – os dois primeiros possuem dois volumes, enquanto o terceiro foi dividido em três). Publicado em 1949, a intenção de Erico era escrever apenas O Continente, mas a história tão grandiosa da saga familiar que é também um microcosmo da História do Rio Grande do Sul pedia mais. E Erico nos deu de presente, alguns anos mais tarde, os dois volumes de O Retrato e os três volumes de O Arquipélago. Reeditado inúmeras vezes pela Editora Globo, hoje as obras de Erico são publicadas pela magnífica Companhia das Letras. E eu tive o prazer de ler na primeira e segunda vez, há muitos anos, essa primeira parte de O Tempo e o Vento numa publicação da editora Globo e agora li numa edição linda que integra o box de…
O Meme Literário de Um Mês 2011 – Dia 20
Você gosta de poesias? (Qual o seu poeta ou poema favorito?) Serei muito sincera aqui, eu não sou muito fã de poesia. Um pouco porque não tenho o costume de ler e também porque dificilmente eu leia uma poesia que realmente goste. E falo aqui não do mérito dos poetas, mas da maneira como ela me tocou. Sendo assim, fica difícil dizer qual meu poeta favorito. Posso apenas citar alguns dos que eu gosto, como Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa. E recentemente li um livro de poesias que eu gostei bastante, que é o Morte e vida severina e outros poemas para vozes, do João Cabral de Melo Neto, que contém um dos trechos mais lindos que eu já li da Literatura Brasileira. Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas e iguais também porque o sangue, que usamos…








