Livro de faroeste com zumbis. Sim, para impressionar já de antemão. Como o Daniel Galera falou na primeira linha da orelha do livro: “Se tem zumbi no meio, só pode ser bom”. Acho essa frase muito verdadeira, com raríssimas exceções. E Areia nos Dentes definitivamente não é uma excessão. O livro está aí para confirmar que história com zumbi é boa de ver, de ler e de contar. Xerxenesky usa e abusa das referências cinematográficas para compor seu cenário inusitado: o oeste, aquele velho oeste de filme americano (seja ele filmado na Itália ou na Espanha, ou não). Confesso que o gênero de filmes nunca foi meu forte, que vi apenas o primeiro dos filmes da trilogia dos dólares e, que apesar da paixão pela trilha sonora, eu tive de revê-lo, pois da primeira vez eu dormi. Sim, eu gostei muito do filme, mas ainda não criei coragem para retomá-los. Mas nem só de referência cinematográfica vive o primeiro romance de Xerxenesky….
narrativa
A Estrada (Cormac Mccarthy)
O cenário por trás da belíssima história de Cormac Mccarthy é o mundo alguns anos depois de uma tragédia, depois de seu fim. Não há lugar em que a morte não esteja presente, seja em milhares de corpos espalhados pelas cidades totalmente destruídas ou pela natureza, que perdeu sua cartela de cores para o cinza. A escuridão total durante a noite e o dia coberto por nuvens de fumaça e cinzas. Não se houve mais o canto dos pássaros, o barulho que persiste é ínfimo. E os poucos homens que sobreviveram lutam para continuar vivos e muitos deles tornaram-se canibais. Mas em nenhum momento do livro descobrimos como isso aconteceu. Como se passaram muitos anos desde a tragédia, o que restava de alimentos nas lojas e casas destruídas já tinha acabado. Esse cenário desolador, que mesmo aterrorizante, não chega a compor um ponto de extrema importância para o que o autor pretende com seu romance. Mas fazer o que se…




