Eu confesso que não sou muito chegada em poesia. Não tenho o dom para apreciá-las como deveria, são poucas as que me agradam. Não sei porque, mas desde que me conheço por leitora sou assim. No entanto, uma das coisas mais lindas que já li na minha vida foi a apresentação de Severino em Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. É simples, sucinto, e ao mesmo tempo tão forte e marcante que é impossível esquecer quem é Severino. Ele é um nordestino, ele é ao mesmo tempo um personagem único e inúmeros brasileiros. O retirante nordestino a quem coube o nome de Severino percorre a mesma trajetória de milhões de cidadãos brasileiros. Ele enfrenta as adversidades que essa vida severina que se apresenta para muitos e sai da morte para alcançar a vida. O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI — O meu nome é Severino, não tenho outro de pia. Como…
poema
Um poema aos Domingos #3
Distâncias Mínimas Paulo Leminsk um texto morcego se guia por ecos um texto texto cego um eco anti anti anti antigo um grito na parede rede rede volta verde verde verde com mim com com consigo ouvir é ver se se se se se … E aproveite para ler este texto maravilho sobre os 20 anos sem o poeta.
Um poema aos Domingos #2
Perguntas de um Operário Letrado (Bertold Brecht) Quem construiu Tebas, a das sete portas? Nos livros vem o nome dos reis, Mas foram os reis que transportaram as pedras? Babilónia, tantas vezes destruida, Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas Da Lima Dourada moravam seus obreiros? No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde Foram os seus pedreiros? A grande Roma Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio Só tinha palácios Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida Na noite em que o mar a engoliu Viu afogados gritar por seus escravos. O jovem Alexandre conquistou as Indias Sozinho? César venceu os gauleses. Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço? Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha Chorou. E ninguém mais? Frederico II ganhou a guerra dos sete anos Quem mais a ganhou? Em cada página uma vitória. Quem cozinhava…
Um poema aos Domingos #1
O trecos & trapos está passando por algumas reformulações, dentre elas a criação desta coluna: Um poema aos Domingos. Sempre aos Domingos, em quase todos, publicarei um poema do qual eu goste ou uma indicação tua. Por quê? Simplesmente porque a poesia nunca foi meu forte. Nem na leitura, muito menos na escrita. E eu quero descobrir um pouco mais sobre poetas e suas obras e sensibilizar-me um pouco mais a partir desse formato de literatura. No começo vou colocando os poemas que gosto. E para começar bem resolvi colocar um poema de Heiner Müller. O poema é uma homenagem à Pina Bausch. Sangue na Sapatilha ou Enigma da Liberdade Heiner Müller – 1981 (para Pina Bausch) De criança brincávamos de esconde esconde. Ainda se lembra de nossos jogos? Todos se escondem, um espera O rosto contra uma árvore ou parede As mãos sobre os olhos, até que o último encontre seu lugar, e quem for descoberto Tem que correr…
Pé piso.
Pra que lado eu vou? Sigo em frente? Volto atrás? Ou será que só importa o deslocamento?
Paulo Leminski
Eu eu quando olho nos olhos sei quando uma pessoa está por dentro ou está por fora quem está por fora não segura um olhar que demora de dentro de meu centro este poema me olha *a mesquinhez de certas pessoas me assusta, mas ainda tenho coragem e dignidade para olhar nos olhos!





