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    Morte e vida severina e outros poemas para vozes

    Eu confesso que não sou muito chegada em poesia. Não tenho o dom para apreciá-las como deveria, são poucas as que me agradam. Não sei porque, mas desde que me conheço por leitora sou assim. No entanto, uma das coisas mais lindas que já li na minha vida foi a apresentação de Severino em Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. É simples, sucinto, e ao mesmo tempo tão forte e marcante que é impossível esquecer quem é Severino. Ele é um nordestino, ele é ao mesmo tempo um personagem único e inúmeros brasileiros. O retirante nordestino a quem coube o nome de Severino percorre a mesma…

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    Um poema aos Domingos #3

    Distâncias Mínimas Paulo Leminsk um texto morcego se guia por ecos um texto texto cego um eco anti anti anti antigo um grito na parede rede rede volta verde verde verde com mim com com consigo ouvir é ver se se se se se … E aproveite para ler este texto maravilho sobre os 20 anos sem o poeta.

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    Um poema aos Domingos #2

    Perguntas de um Operário Letrado (Bertold Brecht) Quem construiu Tebas, a das sete portas? Nos livros vem o nome dos reis, Mas foram os reis que transportaram as pedras? Babilónia, tantas vezes destruida, Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas Da Lima Dourada moravam seus obreiros? No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde Foram os seus pedreiros? A grande Roma Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio Só tinha palácios Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida Na noite em que o mar a engoliu Viu afogados gritar por seus escravos. O…

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    Um poema aos Domingos #1

    O trecos & trapos está passando por algumas reformulações, dentre elas a criação desta coluna: Um poema aos Domingos. Sempre aos Domingos, em quase todos, publicarei um poema do qual eu goste ou uma indicação tua. Por quê? Simplesmente porque a poesia nunca foi meu forte. Nem na leitura, muito menos na escrita. E eu quero descobrir um pouco mais sobre poetas e suas obras e sensibilizar-me um pouco mais a partir desse formato de literatura. No começo vou colocando os poemas que gosto. E para começar bem resolvi colocar um poema de Heiner Müller. O poema é uma homenagem à Pina Bausch. Sangue na Sapatilha ou Enigma da Liberdade…

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    Paulo Leminski

    Eu eu quando olho nos olhos sei quando uma pessoa está por dentro ou está por fora quem está por fora não segura um olhar que demora de dentro de meu centro este poema me olha *a mesquinhez de certas pessoas me assusta, mas ainda tenho coragem e dignidade para olhar nos olhos!

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    Poema Brechtiano

    “Soube que em Nova Iorque Na esquina da Rua 26 com a Broadway Todas as noites do inverno há um homem Que arranja abrigo noturno para os que ali não tem teto Fazendo pedidos aos passantes. O mundo não vai mudar com isso As relações entre os homens não vão melhorar A era da exploração não vai durar menos Mas alguns homens têm um abrigo noturno Por uma noite o vento é mantido longe deles A neve que cairia sobre eles cai na calçada. Não ponha de lado o livro, você que me lê. Alguns homens tem um abrigo noturno Por uma noite o vento é mantido longe deles A…