• Cotidiano,  Diário (ou quase)

    Laboratório

    Quando entrei para a oficina de teatro que a escola oferecia, pensava em perder a timidez, conseguir fazer um comentário na sala de aula, estar habilitada a perguntar o que quer que fosse aos professores sem adquirir uma cor vermelha intensa nas bochechas, nem sentir um calor subindo pelo rosto e pela nuca. Pensava também em conseguir sociabilizar com os colegas de turma, algo que sempre foi muito difícil, visto que não conseguia sequer olhá-los de frente, imagina falar com eles. Aprender a falar, com um ou com muitos, era meu grande objetivo. Acontece que eu me enganei. Profundamente. Sim, eu atingi o objetivo, Tornei-me sociável, comunicativa, falante, tagarela, gritona. Mas não foi apenas…

  • Livros e a biblioteca

    Édipo Rei, o texto trágico de Sófocles

    Sou o tipo de leitora que lê peças de teatro. Muitos não gostam, acham difícil, truncado, estranho e tantos outros adjetivos que não há espaço para listá-los todos. Eu entendo, de verdade. Mas reconheço minha peculiaridade. Comecei lendo este espécime literário porque fazia teatro na escola e para apresentar um “espetáculo” (vamos combinar que teatro na escola não monta espetáculo, no máximo coloca um bando de adolescentes num palco e eles que se virem – no bom sentido, é claro) é preciso decorar o texto. Ah o texto teatral é tão bacana. Uma simples indicação do falante e o discurso corre solto. Depois me apeguei ao hábito. Parei de tentar atuar,…

  • Livros e a biblioteca

    Qorpo Santo, três comédias

    Qorpo Santo (José Joaquim de Campos Leão, Triunfo, 19 de abril 1829 – Porto Alegre, 1 de maio de 1883) foi um dramaturgo gaúcho esquecido por muito tempo, que teve sua importância recuperada apenas na segunda metade do século XX. Ele nos deixou como herança uma extensa obra teatral, todas as suas peças estão em domínio público, disponíveis para download gratuito na página do Domínio Público. Criou sua própria gramática, de onde se pode compreender a peculiar grafia de seu nome. Foi professor, diagnosticado como louco e interditado judicialmente a pedido da própria família, escrevia compulsivamente. Recentemente li um livrinho (o diminutivo refere-se apenas ao tamanho físico do livro, e não a sua qualidade)…

  • Livros e a biblioteca

    Calabar – o elogio da traição

    Calabar – o elogio da traição foi escrita no início dos anos 70 e foi liberada para ser encenada apenas muitos anos depois. Em 1973 Chico Buarque e Ruy Guerra procuram Fernando Peixoto para encenar a peça que eles acabaram de escrever. Muitas tentativas e ensaios depois, a peça só foi liberada (ou anistiado, como diz o próprio Fernando no texto de abertura da peça) pela censura em 1980. Um texto que foi escrito durante um ano, passou por muitas revisões, recomeços e pesquisas. Por se tratar de um tema histórico – a guerra entre Holandeses e Portugueses no Nordeste brasileiro no século XVII – os autores careciam de muito…

  • Livros e a biblioteca

    A primeira a gente nunca esquece.

    Semana passada eu recebi minha primeira meme (Não sabe o que é? Joga no Google) da Carla. Ela me passou via comentário e eu aceitei o desafio. Mas compartilho com ela: Só cinco? Ela me passou a responsabilidade de listar os meus 5 melhores livros de todos os tempos e é lógico que ficarão muitas coisas de fora. Optei apenas por literatura. Optei, não pelos melhores, mas pelos que fizeram parte de bons momentos. Então vamos lá: 01. Fim: Notas sobre os Últimos dias do Império Americano (G. A. Matiasz) Estou a tempos pra escrever uma resenha deste livro e por motivos diversos acabo deixando para depois. É um livro que mistura…

  • Cotidiano

    Release esperto

    Espetáculo “A Missão” A Missão (Lembrança de uma Revolução) No dia 9 de novembro a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estréia o seu novo espetáculo: A Missão (Lembrança de uma Revolução), do autor alemão Heiner Müller. A Missão terá temporada quintas, sextas e sábados, às 21 horas, na Terreira da Tribo (Rua João Inácio 981, Navegantes, Porto Alegre) até 16 de dezembro. O espetáculo tem o financiamento do FUMPROARTE da Secretaria Municipal da Cultura, e a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz tem o patrocínio da Petrobras, através da Lei de Incentivo à Cultura. O espetáculo é resultado da pesquisa realizada pelo grupo no último ano, dentro…

  • Cotidiano

    Adeus à rebeldia de Guarnieri

    Morreu na tarde de hoje na capital o ator e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri, de 71 anos. Internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 2 de junho com insuficiência renal, ele estava sedado desde quinta-feira. Em 1958, aos 24 anos, Guarnieri mudou os rumos da dramaturgia brasileira com a obra “Eles Não Usam Black-Tie”, que explorava as relações trabalhistas a partir de uma greve de operários. Essa peça é uma das minhas preferidas, já encenei fazendo o mesmo papel que Fernanda Montenegro fez na adaptação para o cinema, a matriarca da família. E como ator, foram outras dezenas de criaçães inesquecíveis no teatro, cinema e televisão. E ainda escreveu mais de…