Quando entrei para a oficina de teatro que a escola oferecia, pensava em perder a timidez, conseguir fazer um comentário na sala de aula, estar habilitada a perguntar o que quer que fosse aos professores sem adquirir uma cor vermelha intensa nas bochechas, nem sentir um calor subindo pelo rosto e pela nuca. Pensava também em conseguir sociabilizar com os colegas de turma, algo que sempre foi muito difícil, visto que não conseguia sequer olhá-los de frente, imagina falar com eles. Aprender a falar, com um ou com muitos, era meu grande objetivo. Acontece que eu me enganei. Profundamente. Sim, eu atingi o objetivo, Tornei-me sociável, comunicativa, falante, tagarela, gritona. Mas não foi apenas uma expansividade exagerada que eu adquiri. Tomei gosto por essa história de viver outras vidas, ler outros mundos nas falas e ações dos personagens. Resolvi, então, encarar outro desafio e partir para algo mais profissional do que a oficina da escola. E fui cair logo na Escola de Teatro Popular…
Arquivos para 2011
Olhai os lírios do campo, de Erico Veríssimo
Não li muitos dos livros do autor gaúcho, mas pretendo ler todas as suas publicações. Porém, é inegável que a narrativa de Erico Veríssimo é sempre muito gostosa de ler. Ele tem o domínio das palavras. Em Olhai os lírios do campo, o livro que o tornou um escritor de sucesso, ele narra a história de Eugênio e seu amor por Olívia. O livro é dividido em duas partes e há uma diferença bastante grande entre elas. Essa distinção ocorre tanto na estrutura narrativa quanto na cadência da narrativa em si e da leitura. Na primeira parte somos apresentados ao casal Eugênio e Olívia, na verdade somos apresentados ao médico Eugênio Fontes que recebe a notícia por telefone de que ela está em seu leito de morte no Hospital. Eugênio, casado com Eunice, vai para o Hospital para ver pela última vez seu verdadeiro amor. A partir daí os capítulos retomam o passado de Eugênio, ou Genoca – seu apelido de…
Mr. Postman #23
Bem vind@ ao Mr. Postman! Esse é um meme criado pela Kristi, do The Story Siren, no qual mostrarei tudo o que recebi, comprei ou ganhei durante a semana. Depois de um intervalo nos vídeos eu voltei com um bem recheado de livros bacanas. Desculpem se falei muito rápido, mas eu não queria um vídeo muito longo. E perdoem a pronúncia do inglês… Link Direto Muito obrigada: Ju Poggi – Caraminholas de JP Livros: As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, RBS Publicações O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, RBS Publicações O Caso Morel, de Rubem Fonseca, RBS Publicações Sobre a Filosofia e Outros Diálogos, de Jorge Luis Borges e Osvaldo Ferrari, Hedra Literature Cosidered As Philosophy – The French Example, de Everett W. Knight, Collier Books The Hound of the Baskervilles, de Sir Arthur Connan Doyle, Penguin The Adventures of Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle, Penguin The Adventures of Tom Sawyer, de Mark Twain, Penguin King…
Links Love #9
1. Quem gosta da série Arrested Development, como eu, vai adorar, quem gosta de lego vai amar: Arrested Development in Lego Form! 2. E uma triste notícia divulgada pelo Estadão, Universitários brasileiros leem apenas de 1 a 4 livros por ano. E na UFRGS, onde estudo, 23% lêem mais de 10 livros por ano. Me orgulho de fazer parte desse pequeno grupo (só nesse ano já li 42 livros). 3. Eu amo geléia de morango e estou louca de vontade de tentar fazer em casa. A receita eu já tenho, lá no blog Pitadinha. 4. Eu sigo Tumblrs como se não houvesse amanhã e então a Tábata, do Happy Batatinha, indica um que eu não posso ficar sem seguir: Awesome People Reading. Fotos de gente famosa e bacana lendo. 5. E a Mi Müller, do blog Bibliophile, mostrou uma ilustração linda da ilustradora Wendy MacNaughton feita a partir de uma pesquisa sobre o que alguns escritores comiam enquanto escreviam.
Tragédia Particular
No dia 07 de Abril desse ano um acontecimento foi notícia em diversos programas de televisão. Um jovem homem entrou em uma escola do Rio de Janeiro e disparou contra os alunos e matou doze adolescentes e a si próprio. Tal notícia, uma tragédia, tocou diversos brasileiros e também a mim. Chorei com os depoimentos e me solidarizei com as vítimas e seus familiares. Entretanto, não pude deixar de relacionar essa tragédia coletiva, compartilhada e chorada por muitos brasileiros, com nossas tragédias particulares. No mesmo dia das mortes lá no Rio de Janeiro completavam onze anos da morte de meu pai. Era um dia de luto, mesmo antes dessa triste notícia chegar a meus ouvidos. Meu pai também morreu sob circunstâncias trágicas. Mas ao contrário das mortes das crianças cariocas, sua morte não virou notícia de jornal. Ninguém, além da família e amigos, choraram sobre seu corpo no velório. Ninguém deixou flores no local em que ele foi assassinado. A polícia não…
Édipo Rei, o texto trágico de Sófocles
Sou o tipo de leitora que lê peças de teatro. Muitos não gostam, acham difícil, truncado, estranho e tantos outros adjetivos que não há espaço para listá-los todos. Eu entendo, de verdade. Mas reconheço minha peculiaridade. Comecei lendo este espécime literário porque fazia teatro na escola e para apresentar um “espetáculo” (vamos combinar que teatro na escola não monta espetáculo, no máximo coloca um bando de adolescentes num palco e eles que se virem – no bom sentido, é claro) é preciso decorar o texto. Ah o texto teatral é tão bacana. Uma simples indicação do falante e o discurso corre solto. Depois me apeguei ao hábito. Parei de tentar atuar, mesmo após me aventurar em vôos mais longínquos com o fim do Ensino Médio, mas reconhecendo minha falta de talento parei de tentar. Entretanto nunca parei de ler textos de teatro. E nesse coração de mãe, onde sempre cabe mais um livro, esses textos tão especiais sempre encontram abrigo. Assim…





