Livros e a biblioteca

1984 de George Orwell

A primeira vez que eu li 1984, de George Orwell (no auge dos meus quatorze anos) o fiz por curiosidade. Nasci no ano de 1984 e queria saber o que um livro escondido em um canto da biblioteca da escola e com tal título poderia me dizer.

Fui criada para ser uma bitolada, tanto pela escola quanto pela família (não intencionalmente: família pobre e sem instrução). O gosto pela leitura (paradoxalmente incentivado por minha mãe) me desviou desse caminho agonizante. E ao ler 1984 lá em 1998 eu fiquei chocada com tudo aquilo. Pensei se tratar apenas de uma ficção científica politizada, uma crítica à sociedade que poderíamos criar. Não conhecia a história de como e porque o livro foi escrito.

Quando descobri isso, já mais madura (aos 17 anos) reli o livro e fiquei ainda mais assustada. Sabia o quanto daquilo era real, e o quanto estava próximo da realidade. Conhecia a história, do livro e da humanidade. Sabia em que circuntâncias George Orwell tinha pensado naquele futuro fictício.

Ao ler a coluna Ignorância é Força! no Jovem Nerd, fiquei pensando em visitar pela terceira vez as páginas do livro. Quem sabe a graduação em História e a minha trajetória pessoal complementem minhas interpretações anteriores. É sempre bom ler um livro diversas vezes, em fases diferentes de nossas vidas. Sempre serão livros diferentes.

E é bom lembrar que existe uma versão cinematográfica do livro. É um belo filme de Michael Radford, também recomendo.

Anarca, feminista, vegana, cat lady, bookworm, roller derby, hiperbólica, entusiasta das plantas e constante aprendiz. Rainha de paus, professora de história, amante de histórias. Meu peito é de sal de fruta fervendo num copo d'água. 🌈✊Ⓥ👩🏻‍🏫👩🏻‍💻📚🧙‍♀️🎨📿🥾🏕️ 🐈 🐈 🐈 🐈 🐈 🐈

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14 Comentários
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Vica
3 de julho de 2008 9:35 pm

Esse livro é ótimo. Escrevi sobre ele aqui, e usei essa mesma imagem. Também vi o filme, muito bom.

Tiago jaime machado
Tiago jaime machado
4 de julho de 2008 1:36 pm

também comprei um livrinho hoje…
Aforrismos do Oscar Wilde, por sinceros R$ 3,00 no sebo.

Eu tb li 1984 2 vezes. A primeira quando vi o filme, ali por 91/92, e a segunda alguns anos depois para complementar a leitura de “Paranóia”.

Seja feliz cidadão, o computador está ohando por você.

Tiago jaime machado
Tiago jaime machado
4 de julho de 2008 9:24 pm

muito aceito!!!

Maite
Maite
5 de julho de 2008 3:02 am

Acho uma ótima idéia o lance do podcast. Vai ficar muito bacanérrimo. Qualquer coisa, grite, que eu ajudo.

Abs

Francisco
7 de julho de 2008 1:22 pm

Bela Daniela
Como se pode ver pela sua história, não é o meio que molda o ser humano. Se assim o fosse, o Brasil seria um país composto por 100% de idiotas, tal a qualidade do sistema educacional que temos, totalmente incompetente e desinteressado. Mas, isso é outra (e longa) história. O fato é que 1984 é o ano em que você nasceu e também um dos livros que lhe desviaram do caminho agonizante da média. Porém, tão bom (ou melhor) que o filme 1984 é a produção Brazil, o Filme, de Terry Gilliam, inspirado no mesmo livro de George Orwell e lançado quando você tinha 1 aninho. O filme deveria se chamar 1984 and a 1/2 mas a realização de Radford foi lançada antes. Ainda bem… Brazil tem tudo a ver com o contexto. Principalmente hoje em dia. Parabéns pelo teu blog!

trackback
10 de julho de 2008 4:33 pm

[…] A Era do Grande Irmão para muitos é pura ficção. Um mundo onde cada gesto, cada pensamento, cada intenção é podado e recriminado não passa de um futuro longínquo na cabeça de muitas pessoas. No entanto, fatos como os da noite passada me deixam ainda mais apreensiva com o futuro que nos é guardado. […]

trackback
15 de julho de 2008 3:19 am

[…] fazer uma visita ao blog antenado trecos&trapos da bela gaúcha Daniela Soares, que nasceu em 1984, o ano do Grande Irmão. Ela me disse que estava tentando fazer um comentário neste blog e não […]

cavalca
16 de julho de 2008 2:10 pm

Um dos meus livros de cabeceira.

rober
rober
19 de agosto de 2008 9:32 pm

Oi Daniela
Infelizmente as coisas estão ai, e estão mesmo. Mas o que mais movimenta as pessoas é a esperança, não o medo. Justamente essa capacidade que temos enquanto humanidade de prever desastres é uma das coisas que devemos usar como fonte de esperança, pra prevenir o pior. Ainda da tempo de evitar, ou pelo menos adiar situações que caso se consolidem, vão ser terríveis e muito difíceis de reverter.
por favor, me add no msn que acho que temos muitos assuntos ainda.
abraços.

Muliya
Muliya
28 de outubro de 2008 10:09 am

Great work.

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14 de dezembro de 2008 6:58 pm

[…] 1984 de George Orwell – alguns comentários sobre as duas vezes que li o livro. E também sobre a relação que tenho com ele. Vale como dica de leitura e de cinema. […]

trackback
22 de julho de 2009 12:20 am

[…] 1984 de George Orwell – alguns comentários sobre as duas vezes que li o livro. E também sobre a relação que tenho com ele. Vale como dica de leitura e de cinema. […]

trackback
3 de fevereiro de 2010 11:31 am

[…] A Era do Grande Irmão para muitos é pura ficção. Um mundo onde cada gesto, cada pensamento, cada intenção é podado e recriminado não passa de um futuro longínquo na cabeça de muitas pessoas. No entanto, fatos como os da noite passada me deixam ainda mais apreensiva com o futuro que nos é guardado. […]

trackback
23 de setembro de 2020 1:57 pm

[…] 1984 de George Orwell – alguns comentários sobre as duas vezes que li o livro. E também sobre a relação que tenho com ele. Vale como dica de leitura e de cinema. […]

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