O Analista de Bagé é um psicanalista que criou a terapia do joelhaço e faz muito sucesso com seus tratamentos nada convencionais. Ele é também um dos personagens mais famosos de Luis Fernando Veríssimo. Nesse pequeno livro estão reunidas as histórias do analista e por serem leves, divertidas, engraçadas e curtas, é super rápido de ler. Uma ou duas viagens de trem. São pequenos contos reunidos e talvez por isso algumas coisas se repitam demais, do meu ponto de vista. Em quase todas eles temos uma descrição de como é o divã do analista, de como é sua relação com a secretária e de como ele criou a terapia do joelhaço. Mas isso não chega a incomodar muito, afinal a leitura é tão rápida que pode até passar despercebido. O que mais me incomodou, na realidade, foi algumas das tiradas do gaudério. Algumas passagens tem um tom marcadamente machista ou homofóbico. Eu quero crer que eu é que não peguei…
Leituras
♣ livros que leio, releio ou desejo ler.
Contos Gauchescos & Lendas do Sul, Simões Lopes Neto
Nessa edição da L&PM é possível ler duas obras em uma. Contos Gauchescos trata de diversos contos curtos protagonizados ou narrados pelo mesmo personagem, o Blau Nunes. Já em Lendas do Sul são narradas histórias baseadas em algumas das lendas folclóricas aqui do Rio Grande do Sul, a descrição delas e ainda um apanhado rápido de outras lendas pelo Brasil afora. O bacana dessa obra, principalmente do primeiro livro, é o tom de conversa, de prosa mesmo, que o autor confere ao seu texto. Pois o narrador é um gaúcho do campo, ele é o contador de histórias, o velho proseador que abre o livro conversando com um personagem que não aparece e que pode muito bem ser você leitor. Todas as histórias apresentam o interior do Rio Grande, mesmo que Simões Lopes Neto nunca tenha andado pelos pagos que descreveu, ele morou em Porto Alegre e Pelotas e nunca visitou nenhuma outra cidade além destas (pelo menos é o…
Morte e vida severina e outros poemas para vozes
Eu confesso que não sou muito chegada em poesia. Não tenho o dom para apreciá-las como deveria, são poucas as que me agradam. Não sei porque, mas desde que me conheço por leitora sou assim. No entanto, uma das coisas mais lindas que já li na minha vida foi a apresentação de Severino em Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. É simples, sucinto, e ao mesmo tempo tão forte e marcante que é impossível esquecer quem é Severino. Ele é um nordestino, ele é ao mesmo tempo um personagem único e inúmeros brasileiros. O retirante nordestino a quem coube o nome de Severino percorre a mesma trajetória de milhões de cidadãos brasileiros. Ele enfrenta as adversidades que essa vida severina que se apresenta para muitos e sai da morte para alcançar a vida. O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI — O meu nome é Severino, não tenho outro de pia. Como…
Jorge Luis Borges, feliz aniversário.
Hoje é aniversário de Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo. Se vivo, completaria 112 anos. O autor portenho figura na minha lista de necessidades literárias. Sempre que ouço o nome dele me dá uma coceirinha incomoda que remete ao fato de eu nunca ter lido um conto sequer daquele que é considerado por muitos (e confiáveis) o maior escritor da América Latina. E já adianto que não é por falta de vontade, nem mesmo de tempo – aquela velha desculpa que todos usamos pelo menos uma vez a cada mês para declinarmos uma ou outra leitura pendente. A vontade existe e é intensa, o tempo é escasso, mas existente, os livros estão pelas bibliotecas e estantes alheias (claro que se eu os comprasse ficaria extremamente feliz) e os temas por ele abordados me são bastante caros. O que, então, me impediu até agora de desfrutar de seus textos? Acontece que tudo que ouço sobre ele me faz crer que não estou madura o…
Olhai os lírios do campo, de Erico Veríssimo
Não li muitos dos livros do autor gaúcho, mas pretendo ler todas as suas publicações. Porém, é inegável que a narrativa de Erico Veríssimo é sempre muito gostosa de ler. Ele tem o domínio das palavras. Em Olhai os lírios do campo, o livro que o tornou um escritor de sucesso, ele narra a história de Eugênio e seu amor por Olívia. O livro é dividido em duas partes e há uma diferença bastante grande entre elas. Essa distinção ocorre tanto na estrutura narrativa quanto na cadência da narrativa em si e da leitura. Na primeira parte somos apresentados ao casal Eugênio e Olívia, na verdade somos apresentados ao médico Eugênio Fontes que recebe a notícia por telefone de que ela está em seu leito de morte no Hospital. Eugênio, casado com Eunice, vai para o Hospital para ver pela última vez seu verdadeiro amor. A partir daí os capítulos retomam o passado de Eugênio, ou Genoca – seu apelido de…
Édipo Rei, o texto trágico de Sófocles
Sou o tipo de leitora que lê peças de teatro. Muitos não gostam, acham difícil, truncado, estranho e tantos outros adjetivos que não há espaço para listá-los todos. Eu entendo, de verdade. Mas reconheço minha peculiaridade. Comecei lendo este espécime literário porque fazia teatro na escola e para apresentar um “espetáculo” (vamos combinar que teatro na escola não monta espetáculo, no máximo coloca um bando de adolescentes num palco e eles que se virem – no bom sentido, é claro) é preciso decorar o texto. Ah o texto teatral é tão bacana. Uma simples indicação do falante e o discurso corre solto. Depois me apeguei ao hábito. Parei de tentar atuar, mesmo após me aventurar em vôos mais longínquos com o fim do Ensino Médio, mas reconhecendo minha falta de talento parei de tentar. Entretanto nunca parei de ler textos de teatro. E nesse coração de mãe, onde sempre cabe mais um livro, esses textos tão especiais sempre encontram abrigo. Assim…




