Qorpo Santo (José Joaquim de Campos Leão, Triunfo, 19 de abril 1829 – Porto Alegre, 1 de maio de 1883) foi um dramaturgo gaúcho esquecido por muito tempo, que teve sua importância recuperada apenas na segunda metade do século XX. Ele nos deixou como herança uma extensa obra teatral, todas as suas peças estão em domínio público, disponíveis para download gratuito na página do Domínio Público. Criou sua própria gramática, de onde se pode compreender a peculiar grafia de seu nome. Foi professor, diagnosticado como louco e interditado judicialmente a pedido da própria família, escrevia compulsivamente. Recentemente li um livrinho (o diminutivo refere-se apenas ao tamanho físico do livro, e não a sua qualidade) editado pela Mercado Aberto com três de suas comédias. A obra editada como As Relações Naturias: três comédias, contém as peças As Relações Naturais, Mateus e Mateusa e Eu sou vida, eu não sou morte. Textos curtíssimos escritos em Maio de 1866 que brincam o tempo todo com as palavras…
Cultura
♣ Consumo crítico e apaixonado de cultura pop, marginal e experimental. O que vejo, ouço, leio e jogo com olhar afiado e coração aberto.
Morgan: O único, de Douglas Eralldo
Morgan: O único é o livro de estréia de Douglas Eralldo. Morgan, o protagonista, é um zumbi que conta sua história. Ele narra como foi se transformar em zumbi e como foi encontrar a pequena cidade (que fica claro ser do Rio Grande do Sul) em que vivia e tudo que aconteceu depois de ter levantado da própria tumba. Uma ideia interessante e o maior mérito do livro, e apesar de não ser o primeiro defunto a narrar sua história na literatura nacional, é o primeiro a narrar os post morten (pelo que tenho conhecimento). Morgan é um zumbi diferente, aliás, bastante diferentes dos zumbis a que estamos habituados. Morgan tem consciência do que é e do que faz. Ele consegue pensar e articular estratégias tanto para encontrar sua cidade, quanto para fugir ou procurar certas pessoas. No entanto, o próprio Morgan/narrador afirma o tempo todo como os zumbis são burros e não pensam: ele tem cérebro, ao passo que…
VII Fantaspoa
Faz sete anos que Julho é um mês super importante no calendário de Porto Alegre por conta do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. O cresce a cada ano, seja em importância ou no interesse do público. Eu faço questão de participar do evento, pois além de gostar imensamente da proposta, sou fã dos gêneros apresentados no festival: ficção científica, fantasia e horror. Hoje começa a sétima edição do festival e eu já estou escolhendo as sessões que vou assistir. O Fantaspoa está repleto de filmes que provavelmente não voltarão a ser exibidos nos cinemas daqui, e todos os títulos serão apresentados no máximo duas vezes durante o evento. Oportunidades quase únicas! Então é melhor garantir os ingressos chegando cedo (ou no caso dos filmes exibidos na Sala Santander, comprar antecipadamente). Na página oficial do evento é possível conferir a programação completa, os convidados, as atividades paralelas e outras informações. Então acessa: Fastapoa.com Fantaspoa também está no twitter – @fantaspoa…
Gota D’água – uma tragédia carioca
Gota D’água é uma releitura da Tragédia Grega de Eurípedes escrita por Paulo Pontes e Chico Buarque durante a Ditadura Militar no Brasil. A tragédia de Chico e Paulo sai da Grécia e chega nos morros cariocas. É a história de Joana e Jasão. E da vizinhança da Vila do Meio-Dia. Jasão trocou Joana para casar-se com Alma, filha do rico Creonte. A história se desenrola aos moldes do original grego, mas ambientado no Rio de Janeiro e ganhando contornos modernos, personagens novos e novas motivações. Joana sente-se traída, grita, chora, faz o diabo. Mas Joana não é Medéia, e no Rio ela é macumbeira. Promete desgraçar a vida de Jasão, de Alma e de Creonte, que não só é o pai de Alma como construiu o conjunto habitacional popular onde Joana e seus vizinhos moram e cobra preços absurdos pelas casas. Cada uma já pagou o preço inicial, mas os juros mais do que dobraram o valor do imóvel….
Praticamente Inofensiva, de Douglas Adams
O último livro da trilogia de quatro que na verdade são cinco livros, Praticamente Inofensiva é considerado por alguns um livro que não faz parte da coleção de livros O Guia do Mochileiro das Galáxias, apenas conta uma história com os mesmos personagens. Até entendo um pouco o porque disso, pois o livro aparentemente não tem conexão entre seu início e o final do quarto livro. Mas eu o considero sim parte da trilogia esquizofrênica. Por quê? Ora, pois, é um livro totalmente louco que explora nada mais nada menos do que universos paralelos. Alguns personagens são deixados de lado, como Zaphod Beeblebrox e Marvin (que morreu no final do quarto livro), mas em compensação temos duas Trillians, Ford, um Arthur Dent que virou fazedor de sanduíche, uma filha e um novo guia. Uma das dimensões é a da Trillian que não foi com Zaphod viajar pelo espaço e ficou na Terra se lamentando por tudo o que poderia conhecer…
Calabar – o elogio da traição
Calabar – o elogio da traição foi escrita no início dos anos 70 e foi liberada para ser encenada apenas muitos anos depois. Em 1973 Chico Buarque e Ruy Guerra procuram Fernando Peixoto para encenar a peça que eles acabaram de escrever. Muitas tentativas e ensaios depois, a peça só foi liberada (ou anistiado, como diz o próprio Fernando no texto de abertura da peça) pela censura em 1980. Um texto que foi escrito durante um ano, passou por muitas revisões, recomeços e pesquisas. Por se tratar de um tema histórico – a guerra entre Holandeses e Portugueses no Nordeste brasileiro no século XVII – os autores careciam de muito trabalho de investigação histórica. E um diferencial importante foi o trabalho de parceria, Chico e Ruy escreveram e pesquisaram juntos. No entanto, mesmo se tratando de um texto que toca em um tema histórico, ele não se pretende uma reconstituição minuciosa de um acontecimento histórico. A História é utilizada como…




