Minhas impressões sobre Babas de Caracol: um romance com ritmo lento, centrado em personagens imperfeitos, que acerta na história dentro da história, mas escorrega na investigação do autor fictício. Demorei mais de dez anos para finalmente para finalmente abrir Babas de Caracol, da autora espanhola María García-Lliberós, que comprei numa viagem à Argentina. Comprei esse livro logo após entregar meu TCC, que foi justamente sobre a Guerra Civil Espanhola. Me interessei na hora quando vi que o tema aparecia na sinopse. O fato de ser uma autora espanhola me atraiu ainda mais. Apesar de a narrativa não se passar majoritariamente nesse período, ele aparece de forma significativa, quase como uma sombra que atravessa os personagens. É um momento histórico que marca a protagonista e influencia diretamente eventos importantes da trama. Esse pano de fundo histórico dá profundidade às memórias e às relações construídas no livro. Foi bonito perceber como essa memória coletiva (e traumática) se entrelaça com as histórias pessoais…
Cultura
♣ Consumo crítico e apaixonado de cultura pop, marginal e experimental. O que vejo, ouço, leio e jogo com olhar afiado e coração aberto.
a arte de tentar ser polêmico sem conteúdo
Eu participo de um clube do livro com alguns amigos. Nesse bimestre o livro escolhido foi Suicidas, romance de estreia de Raphael Montes. Não tenho muito interesse pelo gênero, mas resolvi dar uma chance, já que tanta gente fala muito bem do autor. A minha impressão é de que o autor parece tentar fazer de seu livro muitas coisas ao mesmo tempo: um thriller psicológico, um jogo de detetive, uma crítica social, um experimento literário. Mas, na minha leitura, acaba tropeçando nas próprias pretensões e falha miseravelmente nelas todas. O livro apresenta uma proposta até instigante: um grupo de jovens de classe média alta se reúne para um pacto suicida. Os mistérios e reviravoltas da história são revelados por meio de gravações e relatórios policiais. A premissa rapidamente se perde em cenas que apelam mais para o choque pelo choque. Elas não constroem nenhuma profundidade psicológica ou uma crítica consistente. O gore é apenas um recurso de impacto vazio. Parece…
Um universo paralelo no meio do mato: minha experiência no Morrostock 2025
Na Páscoa deste ano, fui viver uma experiência que parece acontecer fora do tempo: o Festival Morrostock. Fui tão tomada pela experiência que quase não tirei fotos. E acho que isso já diz muito sobre o que foi o Morrostock pra mim: um mergulho total no presente. Já consolidado no cenário da música alternativa no Rio Grande do Sul, o Morrostock é mais que um festival, é um portal. Durante alguns dias, uma comunidade se forma no meio do mato. As pessoas são conectadas pela música, pela natureza e por uma vibe. Essa vibe lembra, com todas as devidas proporções e tropicalizações, o espírito de Woodstock. O festival mescla nomes conhecidos da cena gaúcha com artistas independentes da América do Sul. Além dos shows, há oficinas, atividades, acampamento, comida boa e um cuidado com o meio ambiente que se sente em cada detalhe: banheiro seco, bioconstrução, respeito pelo entorno. Um universo paralelo. Fui com a Cibstrada, excursão já tradicional entre…
Lendo o que a cidade fala
Acabei de ler Delírio de Damasco, da Veronica Stigger, e fiquei com a sensação de que entrei num ônibus lotado e fui obrigada a ouvir todos os diálogos que normalmente ignoramos, mas, desta vez, sem poder desviar o olhar. Conheci o livro depois de visitar o blog da Gabes, o Fugi de Casa. Li um post ótimo em que ela falava sobre a obra da Veronica Stigger e fiquei morrendo de curiosidade. Resolvi começar por esse, dos vários que ela linkou como sugestão. O livro é a reunião de frases que a autora coletou de fragmentos de conversas ouvidos na rua, de familiares ou amigos. Antes de virar este pequeno livro, foi uma intervenção na Mostra Sesc de Artes, em São Paulo. O espaço designado para o trabalho foram os tapumes da construção da unidade da Rua 24 de Maio, no centro da cidade. As frases são curtas, cortantes, muitas vezes absurdas, carregadas de ironia e de uma crueza que…
Séries sobre professores: por que estou amando Abbott Elementary e o que mais quero assistir
Se tem um tipo de série que sempre me chama atenção, são aquelas que falam sobre professores. Afinal, eu sou professora. Seja pelo realismo (ou a falta dele), pelas reflexões sobre a profissão ou simplesmente pelo carisma dos personagens, histórias ambientadas em escolas e universidades sempre me conquistam. E, entre todas que já vi, Abbott Elementary se tornou uma das minhas favoritas. Conheci a série e comecei a ver em janeiro desse ano e agora em abril acabou a quarta temporada. Devorei as três primeiras temporadas em poucas semanas. Comecei a assistir a quarta temporada e tive que me contentar com um episódio por semana. Além de super divertida, as histórias de cada professora e professor daquele grupo são ótimas. Eu me identifiquei com vários personagens, momentos e situações difíceis do cotidiano escolar. Dei boas risadas com os absurdos e chorei em vários momentos emocionantes. Por que Abbott Elementary é incrível Criada por Quinta Brunson, a série acompanha o dia…
📚 Retrospectiva Literária 2024 📚
Tenho até vergonha de vir aqui em plano dia 30 de abril querendo fazer retrospectiva… Uma das minhas atividades favoritas no início de cada ano é pensar sobre as leituras do ano anterior. Fazer listas, avaliar o que consegui alcançar e toda aquela coisa que muita gente faz. Mas a vida, ah a vida… Ela te atropela! Eu quis fazer um texto completo usando todas as métricas da planilha que uso. Quis também usar as estatísticas do Storygraph e do Notion. No entanto, enrolei mais do que o imaginado. Então, sim, é final de abril e continuo fazendo retrospectiva nesse blog. Mas chega de enrolação! Em 2024 li relativamente bastante. Considerando que tô fazendo meu doutorado e trabalho 40 horas semanais na escola pública. Mas mesmo assim consegui bater a meta. Li livros que me fizeram refletir profundamente, outros que me arrancaram risadas, e também algumas decepções. Vamos ver o que de mais marcante aconteceu nas minhas leituras no ano…









