Eu participo de um clube do livro com alguns amigos. Nesse bimestre o livro escolhido foi Suicidas, romance de estreia de Raphael Montes. Não tenho muito interesse pelo gênero, mas resolvi dar uma chance, já que tanta gente fala muito bem do autor. A minha impressão é de que o autor parece tentar fazer de seu livro muitas coisas ao mesmo tempo: um thriller psicológico, um jogo de detetive, uma crítica social, um experimento literário. Mas, na minha leitura, acaba tropeçando nas próprias pretensões e falha miseravelmente nelas todas. O livro apresenta uma proposta até instigante: um grupo de jovens de classe média alta se reúne para um pacto suicida. Os mistérios e reviravoltas da história são revelados por meio de gravações e relatórios policiais. A premissa rapidamente se perde em cenas que apelam mais para o choque pelo choque. Elas não constroem nenhuma profundidade psicológica ou uma crítica consistente. O gore é apenas um recurso de impacto vazio. Parece…
Cultura
♣ Consumo crítico e apaixonado de cultura pop, marginal e experimental. O que vejo, ouço, leio e jogo com olhar afiado e coração aberto.
Um universo paralelo no meio do mato: minha experiência no Morrostock 2025
Na Páscoa deste ano, fui viver uma experiência que parece acontecer fora do tempo: o Festival Morrostock. Fui tão tomada pela experiência que quase não tirei fotos. E acho que isso já diz muito sobre o que foi o Morrostock pra mim: um mergulho total no presente. Já consolidado no cenário da música alternativa no Rio Grande do Sul, o Morrostock é mais que um festival, é um portal. Durante alguns dias, uma comunidade se forma no meio do mato. As pessoas são conectadas pela música, pela natureza e por uma vibe. Essa vibe lembra, com todas as devidas proporções e tropicalizações, o espírito de Woodstock. O festival mescla nomes conhecidos da cena gaúcha com artistas independentes da América do Sul. Além dos shows, há oficinas, atividades, acampamento, comida boa e um cuidado com o meio ambiente que se sente em cada detalhe: banheiro seco, bioconstrução, respeito pelo entorno. Um universo paralelo. Fui com a Cibstrada, excursão já tradicional entre…
Lendo o que a cidade fala
Acabei de ler Delírio de Damasco, da Veronica Stigger, e fiquei com a sensação de que entrei num ônibus lotado e fui obrigada a ouvir todos os diálogos que normalmente ignoramos, mas, desta vez, sem poder desviar o olhar. Conheci o livro depois de visitar o blog da Gabes, o Fugi de Casa. Li um post ótimo em que ela falava sobre a obra da Veronica Stigger e fiquei morrendo de curiosidade. Resolvi começar por esse, dos vários que ela linkou como sugestão. O livro é a reunião de frases que a autora coletou de fragmentos de conversas ouvidos na rua, de familiares ou amigos. Antes de virar este pequeno livro, foi uma intervenção na Mostra Sesc de Artes, em São Paulo. O espaço designado para o trabalho foram os tapumes da construção da unidade da Rua 24 de Maio, no centro da cidade. As frases são curtas, cortantes, muitas vezes absurdas, carregadas de ironia e de uma crueza que…
Séries sobre professores: por que estou amando Abbott Elementary e o que mais quero assistir
Se tem um tipo de série que sempre me chama atenção, são aquelas que falam sobre professores. Afinal, eu sou professora. Seja pelo realismo (ou a falta dele), pelas reflexões sobre a profissão ou simplesmente pelo carisma dos personagens, histórias ambientadas em escolas e universidades sempre me conquistam. E, entre todas que já vi, Abbott Elementary se tornou uma das minhas favoritas. Conheci a série e comecei a ver em janeiro desse ano e agora em abril acabou a quarta temporada. Devorei as três primeiras temporadas em poucas semanas. Comecei a assistir a quarta temporada e tive que me contentar com um episódio por semana. Além de super divertida, as histórias de cada professora e professor daquele grupo são ótimas. Eu me identifiquei com vários personagens, momentos e situações difíceis do cotidiano escolar. Dei boas risadas com os absurdos e chorei em vários momentos emocionantes. Por que Abbott Elementary é incrível Criada por Quinta Brunson, a série acompanha o dia…
📚 Retrospectiva Literária 2024 📚
Tenho até vergonha de vir aqui em plano dia 30 de abril querendo fazer retrospectiva… Uma das minhas atividades favoritas no início de cada ano é pensar sobre as leituras do ano anterior. Fazer listas, avaliar o que consegui alcançar e toda aquela coisa que muita gente faz. Mas a vida, ah a vida… Ela te atropela! Eu quis fazer um texto completo usando todas as métricas da planilha que uso. Quis também usar as estatísticas do Storygraph e do Notion. No entanto, enrolei mais do que o imaginado. Então, sim, é final de abril e continuo fazendo retrospectiva nesse blog. Mas chega de enrolação! Em 2024 li relativamente bastante. Considerando que tô fazendo meu doutorado e trabalho 40 horas semanais na escola pública. Mas mesmo assim consegui bater a meta. Li livros que me fizeram refletir profundamente, outros que me arrancaram risadas, e também algumas decepções. Vamos ver o que de mais marcante aconteceu nas minhas leituras no ano…
Voltando a ver Doctor Who
Finalmente terminei a última temporada de Doctor Who com a Jodie Whittaker – gostei dela, mas parecia que faltava algo. Os especiais de 60 anos foram incríveis, especialmente com Donna Noble e o 10/14 Doutor. Ncuti Gatwa está mandando bem como novo Doutor.










