Divã é a primeira novela de Martha Medeiros e conta a história de Mercedes, com mais de 40 anos, casada, com filhos que parte para uma experiência nova: fazer análise.
O formato do livro é interessante, são fragmentos das falas da protagonista com seu analista. Um monólogo, cada capítulo é um fragmento de uma sessão. No entanto, o formato anula a possibilidade de conhecermos um pouco mais sobre quem ela fala, eles aparecem apenas na sua fala, de acordo com o que ela pensa e os sentidos que atribui aos outros.
Consegui me identificar com alguns parágrafos, como quando ela fala do medo de estar sozinha (no sentido físico) e sendo espreitada por almas penadas. Mas parece que o livro todo é feito para que nos identifiquemos com Mercedes, um parágrafo para cada leitora. Mercedes é uma personagem que tem características de todas as mulheres. E não falo isso de modo positivo, como se ela fosse um arquétipo da mulher moderna. Não, ela é um amontoado de clichês, assim como o texto que frasse após frase faz rimas pobres no meio de uma prosa que não sabe pra onde vai.
Por isso, a leitura não foi fluida como esperava por se tratar de um livro fácil e curto. Pelo contrário, não conseguia avançar. A cada frase que eu lia me sentia compelida e largar o livro e esquecê-lo. Porém me via com a obrigação em terminar de ler logo. Como dizem, puxar de uma vez dói menos que ficar puxando aos pouquinhos.
Nota: 1
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)
Esta resenha faz parte do projeto Desafio Literário 2010 proposto pelo blog Romance Gracinha e corresponde ao mês de Maio, cujo objetivo é ler um livro do gênero Chick-lit.
Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês.
E confira também os livros que li até agora para o desafio:
Janeiro – Quincas Borba (Machado de Assis)
Fevereiro – As Crônicas de Nárnia Volume Único (C. S. Lewis)
Março – Orgulho e preconceito, de Jane Austen
Abril – Confesso que vivi (Pablo Neruda)
Maio – Melancia (Marian Keyes)
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Dani eu tenho birra da martha medeiros #prontofalei. Sei que ela é unanimidade, que para nós gaúchas então é quase crime isso, mas sei lá acho ela tão senso comum, tão “amontoado de clichês” como tu citastes, é uma leitura que não me acrescenta nada, dou umas poucas risadas e só, nem acho hilário como a maioria das pessoas, tudo piada pronta e carregada de preconceitos e rótulos arraigados na sociedade. Báh deu pra ver que eu não gosto?! Pois é.
Adorei tua resenha, bem o que eu achei do livro, esses dias até falei em outra resenha do desafio que tinha achado bom, mas é um bom quase ruim na verdade, nem sei porque tenho essa dificuldade de quantificar a minha avaliação, mas acho que péssimo é mesmo uma bom adjetivo para o livro.
estrelinhas coloridas…
@Mi Müller, eu concordo plenamentecontigo. Eu não gosto das crônicas dela, nunca gostei. E nunca tinha lido um livro dela. Escolhi para o desafio porque tinha comprado para dar de presente para minha mãe por indicação da minha ex chefe (segundo ela minha mãe gostaria). A mãe não quis e ficou encalhado na estante. Como a proposta era escolher livros que tivéssemos na estante e não tenha sido lido eu acabei selecionando essa bela porcaria.
🙂
beijos
Não li o livro ainda. Li uma coletânea de poesias da autora em um dia de fila infernal no banco. E foi um antítodo para o tédio. Ainda não é o suficiente para emitir uma opinião avalizada sobre os escritos da autora. Sua resenha está excelente.
Beijos
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