O processo eleitoral desse ano tem se esforçado muito em combater o voto nulo. Com esse intuito os últimos dias de campanha foram marcados por uma campanha agressiva e pontual contra o voto nulo. Assim, assistimos à união de várias frentes contra essa opção “política”. Vamos tentar entender essa campanha observando um dos caminhos desses ataques: A matéria da Agência Carta Maior “Voto nulo, passividade e conservadorismo”, que afirmou:
“A pregação do voto nulo está na praça. Seus defensores aparentam ser os mais radicais dos inconformados. Mas apenas incentivam a despolitização, descartam um direito duramente conquistado e fazem coro com a intolerância conservadora” (http://agenciacartamaior.uol.com.br).
É bem verdade que muitas das pessoas que aderiram ao voto nulo sequer leram sobre o anarquismo. Quero ir um pouco além nesse texto, discutindo o posicionamento anarquista diante das eleições. Já faz muitos anos que em toda época eleitoral os anarquistas se movimentam para fazer a campanha do voto nulo, neste ano não foi diferente, o que também não significa que não devemos fazer algumas reflexões, pois entendo que simplesmente conclamar o voto nulo seja algo insuficiente, que em alguns casos pode configurar-se numa postura dogmática e despolitizante.
Pregar o voto nulo sem fazer uma discussão em torno da noção de política que nos é apresentada e do próprio sistema político e decisório na sociedade é despolitizante. Fazendo isso, corremos o risco de cair naquilo que criticamos: tratar de política só quando tem eleição. Os políticos e seus partidos fazem isso para se elegerem, outros para os desacreditar; ou seja, os burgueses querem resumir a participação política ao período eleitoral, alguns resumem sua ação política ao ato de votar nulo, quase como um desencargo de consciência.
Historicamente os anarquistas defendem o voto nulo ou o boicote às eleições burguesas. Esta recusa não significa uma negação da ação política, mas sim um questionamento da ideia de política que vigora no regime representativo da democracia burguesa, que aliena a verdadeira participação popular transferindo o poder decisão para representantes que estão muito distantes daqueles que o elegeram e, portanto, não vai ouví-los. Tudo isso parece óbvio, mas muitas vezes é esquecido, e algumas campanhas do voto nulo acabam ficando realmente despolitizadas, uma vez que a crítica política fica encoberta por palavras de ordem que dizem muito pouco, como, por exemplo, a manjada vote nulo, não sustente parasitas.
Há um desgaste das velhas figuras da política nacional e uma descrença§a generalizada nas eleições, mas isso não significa uma recusa da democracia burguesa, significa muito mais uma demonstração despolitizada de insatisfação. Há pessoas que votaram nulo por “não quererem saber de política”, outras por que “não gostam de políticos” e se lembram dos “bons tempos dos militares”. Então que fique claro, votar nulo nem sempre é sinal de consciência política.
Evidentemente, o tema tratado aqui, bem como os problemas colocados por ele, não serão resolvidos com um pequeno texto, mas entendo que o anarquismo tem muito o que discutir, muito o que pensar e muito o que fazer. Uma das primeiras coisas por fazer é sacudir a poeira e pensar a prática anarquista no Brasil, para que se possa avançar para além das panfletagens e colagens de cartazes.








Acho que ta tri bom, mas tu podia dar uma olhadinha neste paragrafo:
“Pregar o voto nulo sem fazer uma discussão em torno da noção de polÃtica que nos é apresentada e do próprio sistema polÃtico e decisório na sociedade é despolitizante. Fazendo isso, corremos o risco de cair naquilo que criticamos: tratar de polÃtica só quando tem eleição. Os polÃticos e seus partidos fazem isso para se elegerem, outros para os desacreditar; ou seja, os burgueses querem resumir a participação polÃtica ao perÃodo eleitoral, alguns resumem sua ação polÃtica ao ato de votar nulo, quase como um desencargo de consciência.”
Acho que ele acabou ficando meio truncado, Mas acho que o caminho é esse.
bjus.