Olha ao redor e não vê ninguém. Não tem viva alma a lhe esperar. E lá dentro ele sabia que era tudo o que queria. Caminha até a cozinha. Abre a geladeira. Pega uma garrafa de vinho branco, serve uma taça e bebe tudo em um gole como se aquela fosse a última porção de vinho do mundo. Dirige-se para o sofá liga o rádio em alguma estação qualquer e deita com o olhar perdido na noite que se desvendava pela janela aberta. Nenhum som, nem mesmo da música a tocar ou dos carros na avenida em frente a seu prédio lhe chama a atenção. Desliga o rádio.
.boneca
Love story
— Grrrrrrrrrrrr. — Socorro! Socorro! — Não minha senhora, eu não queria assustá-la, eu vim aqui declarar meu amor por você. — Socorro! Socorro! … Anh? — Isso mesmo, eu estou apaixonado, perdidamente apaixonado senhorita Helena Maria. — Óh! Mas como pode ser, eu nem o conheço. — Permita que eu me apresente: Sou Antônio Augusto, contador e nas horas vagas faço pontas como animal desvairado que come gente nos filmes de Hollywood, às suas ordens. — Muito prazer senhor Antônio Augusto. Como já sabe meu nome não é necessário que me apresentes, não é? — É claro madame. Posso cometer a ousadia de lhe convidar para um café? — Claro.
andanças [1]
Rubens caminha todas as manhãs nas mesmas alamedas de Porto Alegre. Em busca de algo que nem mesmo ele sabe. O que importa é o deslocamento. Sobe e desce ladeiras, lombas. Segue reto, dobra à direita, depois à esquerda. Sempre cantarolando uma música. Uma música indecifrável, inventada de pronto, ali mesmo, naqueles instantes de andanças. Para sempre na mesma esquina. Entra no prédio, sobe o elevador até o quarto andar. Abre porta, fecha porta. Acende a luz.
poEma
Poema. Pô. É mágico.
Restos de Madalena
Sobreposição de cores Mistura Super Posição de formas Criatura
caminho
devagar devagar devagar divagar.





