O trecos & trapos está passando por algumas reformulações, dentre elas a criação desta coluna: Um poema aos Domingos. Sempre aos Domingos, em quase todos, publicarei um poema do qual eu goste ou uma indicação tua. Por quê? Simplesmente porque a poesia nunca foi meu forte. Nem na leitura, muito menos na escrita. E eu quero descobrir um pouco mais sobre poetas e suas obras e sensibilizar-me um pouco mais a partir desse formato de literatura. No começo vou colocando os poemas que gosto. E para começar bem resolvi colocar um poema de Heiner Müller. O poema é uma homenagem à Pina Bausch. Sangue na Sapatilha ou Enigma da Liberdade Heiner Müller – 1981 (para Pina Bausch) De criança brincávamos de esconde esconde. Ainda se lembra de nossos jogos? Todos se escondem, um espera O rosto contra uma árvore ou parede As mãos sobre os olhos, até que o último encontre seu lugar, e quem for descoberto Tem que correr…
Literatura
Livros lidos – 2008
A primeira lista de 2009 é sobre 2008. Eu tenho o hábito de anotar cada livro lido e cada filme visto, antes em um adorável bloco ou caderno, agora em arquivos txt no computador. Esse hábito é interessante para contabilizar a quantidade de coisas que eu vejo e leio em um ano e tentar superar no ano seguinte, mas é também uma boa maneira de exercitar a parte do cérebro responsável pela memória. Escrever, ler e guardar em algum lugar especial determinado tipo de informação é um exercício que muito me agrada e que eu recomendo. Então, no ano passado eu listei os livros lidos. Não foram tantos, tenho que admitir. Não chegam nem perto dos 100 livros que o Alex Castro leu ano passado. No entanto, não foram as únicas palavras que li: não contei as dezenas (talvez mais do que isso) de artigos e capítulos avulsos de livros que tive de ler para a faculdade, portanto esses livros…
A Narrativa do Romance Policial
Depois de escrever um pouco sobre o surgimento do Romance Policial, é hora de falar da forma que a narrativa assume. A narrativa policialesca diz respeito a uma inclinação humana já existente, e busca a mais completa verossimilhança com a realidade. Os aspectos poéticos são abandonados em prol do exercício da racionalidade. O leitor interage através do medo. E busca compreender crime e criminoso em conjunto com a figura do detetive, responsável pelo desenrolar da história. O detetive representa a polícia, e ele é o herói. Em contrapartida o criminoso assume um papel de aberração. Com o romance policial de segunda geração há uma inversão do papel do detetive e do lugar do crime na sociedade. Se nos romances de primeira geração eles eram aberrações e não faziam parte da ordem social, nos romances escritos a partir das décadas de 1920 e 1930, eles passam a fazer parte de um esquema social que é por inteiro abominável. Ambos estão inseridos…
História, literatura e crime.
É sabido que a História hoje assume um papel diferente daquele que Aristóteles anunciava em sua Poética. Em nosso tempo existe um diálogo entre os diversos campos do saber. Chamamos esse diálogo de interdisciplinaridade. História e Literatura compartilham de longa data a narrativa e o contar, escrever e descrever, interpretar, reinterpretar, construir, reconstruir por meio da escrita. Determinados eventos “reais” ou “imaginários” são relatados como garantia de se perpetrarem através do tempo. Em especial, é claro aqueles considerados dignos de memória. As narrativas estão ligadas a uma dupla capacidade: cristalizar e ao mesmo tempo dar vida a determinadas idéias e sentimentos a serem compartilhados¹. Ambas as disciplinas são formas de contar o “real”. E o fazem através de signos constituídos por palavras e imagens. As formas da narrativa literária já foram utilizadas pela História, mas é claro que ambas possuem métodos distintos, e seus objetivos são diferentes. Literatura não é História, e vice-versa. No entanto, o Historiador pode, em sua…
Você conhece Andréa Fátima dos Santos?
Uma dica: quando criança fazia anotações nos caderninhos escolares, ouvia conversas por detrás das portas, adorava os papos de elevadores e ficava muda nas reuniões de mulheres adultas para que não a notassem. Andréa Fátima dos Santos adotou em homenagem à Luz Del Fuego (dançarina famosa nos anos 50 e que, na verdade, se chamava Dora) o nome Andréa Del Fuego. A sugestão mais do que perfeita veio de sua sogra (e há quem diga que as sogras só atrapalham). A moça que não é filha de intelectuais e chegou a afirmar em uma (pequena, singela e de belas palavras) autobiografia: “livro em casa nem o de receita. Eu não tinha referências da escrita enquanto produção. Não tinha um espelho digno desta função”. Formada em publicidade trabalhou como produtora em cinema e revistas. Começou sua vida de escritora respondendo dúvidas sexuais de leitores de uma revista de rádio paulista. Filha de mineiros ela comeu pelas bordas e já publicou quatro…
A Casa dos Pacheco – mininovela
A escritora Andréa del Fuego começou no inicio deste mês mais uma mininovela. Vale a pena conferir por dois motivos. Primeiro porque a Andréa é uma ótima escritora e segundo porque ela usa como referência para seus capítulos as ilustrações de Norman Rockwell, grande artista do início das décas de ’30, ’40 e ’50 do século XX. No que consiste? Buenas, editar imagens para que a seqüência delas lhe dê uma história! Eu mesma fiz algo parecido dia desses: parecido porque usei apenas uma imagem e a partir dela criei um pequeno e insano diálogo entre um monstro azul e uma boneca alagoana (presentes de amigos queridos).




