Passeando pelas ruas de Porto Alegre, as mesmas ruas de sempre. Vento no rosto, conversas gostosas, Gasômetro, Guaíba (o lago), pôr-do-sol, vermelho. Subindo a ladeira e chegando no casarão em reforma. Aguarda ansiosa que a porta se abra. Multidão de faces desconhecidas, olhares cúmplices. A porta finalmente abre. Um novo mundo aguarda. Escuro corredor, a multidão a segue. Chega na sala escura, de tijolos à mostra, lampião aceso, cadeiras ao redor e uma pessoa, uma cadeira, no centro. Sentada, olhar fixo. É Bernarda Alba, reconhece de primeira. Procura um lugar aconchegante na arena negra com portas e janelas brancas, abertas. Contraste. Olha ao redor, presta atenção em cada tijolo, em cada madeira, em cada lampião, e em Bernarda, em seu olhar, fixo, sempre, com uma bengala opressora nas mãos. Todos sentados. Bernarda ainda ali, com o olhar fixo. Os primeiros acordes começam a soar. E ela ali, com o olhar fixo. Quatro saídas, quatro fantasmas. Não, são cinco, cinco fantasmas. Elas surgem…
Arquivos para julho 2007
O Cinema Está de Luto
É com grande pesar que venho até aqui escrever sobre isso, hoje de manhã chegou até mim a notícia de que um dos maiores cineastas de todos os tempos morreu. Ingmar Bergman, 89 anos, faleceu de forma “tranqüila e suave”, segundo Eva Bergman, que não informou nem a causa nem o momento exato do falecimento. Bergman deixou muitos fãs e um conjunto de obras preciosas. Ao longo da carreira, ele realizou 54 filmes, 126 produções teatrais e 39 peças de rádio, além de programas para TV. Suas obras-primas freqüentemente lidavam com a confusão sexual, a solidão e a vã busca pelo sentido da vida, temas que muitos atribuíam a uma infância traumática, quando ele era agredido pelo pai. O filme dele que mais me marcou foi o clássico “O Sétimo Selo” todas as cenas eram obras únicas, lindas, perfeitas, cortantes. O jogo de xadrez do cavaleiro que busca encontrar-se com Deus contra a Morte. A dança da Morte na colina, carregando…
Exercício: Conversas.
Os quatro elementos convidados (escolhidos) para esta “conversa” constitui-se de dois artistas convidados para a 6ª Bienal do Mercosul, uma artista referência para a História da Arte na América Latina e o trabalho que desenvolvo com arqueologia dos caçaadores coletores do Rio Grande do Sul. Francisco Matto, que participará da Mostra Monográfica nesta Bienal constitui seu trabalho por uma fusão entre a arte das tradições pré-colombianas e a abstração geométrica. Nascido em Montevidéu, Uruguai teve problemas com sua proposta, pois no Uruguai não há uma cultura pré-colombiana como no Peru, Bolívia ou México, que constitua em grandes arquiteturas ou em sociedades complexas. Pode se dizer então que sua obra é produto de uma reflexão para além da sua realidade local. Combinando a tradição de outras regiões com modernidade nos leva a questionar o significado da palavra e do conjunto de elementos que compõe o conceito é “tradição“. Daniel Bozhkov é natural da Bulgária, vive e trabalha em Nova York nos Estados Unidos….
A primeira a gente nunca esquece.
Semana passada eu recebi minha primeira meme (Não sabe o que é? Joga no Google) da Carla. Ela me passou via comentário e eu aceitei o desafio. Mas compartilho com ela: Só cinco? Ela me passou a responsabilidade de listar os meus 5 melhores livros de todos os tempos e é lógico que ficarão muitas coisas de fora. Optei apenas por literatura. Optei, não pelos melhores, mas pelos que fizeram parte de bons momentos. Então vamos lá: 01. Fim: Notas sobre os Últimos dias do Império Americano (G. A. Matiasz) Estou a tempos pra escrever uma resenha deste livro e por motivos diversos acabo deixando para depois. É um livro que mistura ficção científica e thriller político sem medo e acaba dando super certo. Aliás, muitos acreditam (e acho que possa ser verdade) que a ficção científica à a única literatura de “idéias”. Um romance de ficção científica muito realista e com uma análise profunda do futuro do anarquismo. 02. O Senhor dos…
Sobre o trabalho de Mediação na 6ª Bienal do Mercosul
O que é ser mediador? Bom, ser mediador é ser, antes de tudo um intermediário. Aquele que está entre duas partes. O mediador aprecia, questiona, mas também é questionado. Incentivando o espectador, considerando-o como ser criativo e não passivo. O apreciador, o público em geral não é passivo, eles não querem alguém que entenda tudo de arte para lhe dar uma aula, eles querem sim é ter um espaço para exercer sua criatividade no diálogo com a obra, com a exposição. Portanto, o mediador é alguém que facilita, impulsiona diálogos, produz tensões (no bom sentido) entre as partes. Segundo o dicionário Aurelio o mediador é aquele que intervém, uma espécie de árbitro. Mediar é o ato de intervir entre essas partes. Se mediar é dividir ao meio, o mediador é o responsável pela soma das duas metades. Intermediar um contato entre essas duas metades, a obra e o espectador, ou público, como desejar chamar quem está ali para apreciar. Não…
Curtindo nas férias.
Depois das pirraças, intrigas orkutianas promovidas por certas cabecinhas pequenas e infantis, o retorno é triunfante. A UNI$UINO$ continua a mesma, mas com evento e pessoas do Brasil todo ficou “habitável” (referindo-se ao Simpósio da ANPUH). Matando a saudade de alguns amigos de verdade (da UNI$UINO$) e econtrando novos amigos (da UFRGS). Uma farra e tanto, muito vinho, cerveja e cachaça com velhos e novos amigos. Conhecendo pessoas de todo o Brasil. Ouvindo coisas inteligentes durante o dia e coisas bizarras à noite.




