Praticamente todas as coisas de que gostamos tem uma data comemorativa. E não seria diferente com o livro. Dia 29 de outubro foi escolhido para ser o “Dia Nacional do Livro” porque remonta ao dia da fundação da Biblioteca Nacional, que nasceu com a transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Brasil. E quem gosta de livros sabe o quanto eles precisam de cuidados. Hoje mesmo, na visita que guiei aqui no MUHM, falamos sobre algumas práticas que devemos ter com nossos livros e principalmente com os das bibliotecas. Nos últimos meses nós desenvolvemos uma oficina sobre conservação a partir da história de vida de um livro com proporções maiores do que a habitual que contém em suas páginas sua própria história. Desenvolvida pela equipe do Setor Educativo do MUHM (da qual eu faço parte) a história de vida do Biblos (nome dado ao personagem) começa com seu nascimento (a compra na livraria) até sua chegada, através de doação, ao…
Leituras
♣ livros que leio, releio ou desejo ler.
A Narrativa do Romance Policial
Depois de escrever um pouco sobre o surgimento do Romance Policial, é hora de falar da forma que a narrativa assume. A narrativa policialesca diz respeito a uma inclinação humana já existente, e busca a mais completa verossimilhança com a realidade. Os aspectos poéticos são abandonados em prol do exercício da racionalidade. O leitor interage através do medo. E busca compreender crime e criminoso em conjunto com a figura do detetive, responsável pelo desenrolar da história. O detetive representa a polícia, e ele é o herói. Em contrapartida o criminoso assume um papel de aberração. Com o romance policial de segunda geração há uma inversão do papel do detetive e do lugar do crime na sociedade. Se nos romances de primeira geração eles eram aberrações e não faziam parte da ordem social, nos romances escritos a partir das décadas de 1920 e 1930, eles passam a fazer parte de um esquema social que é por inteiro abominável. Ambos estão inseridos…
ATENÇÃO AO SÁBADO de Clarice Lispector
Porque é sempre bom ler Clarice. Porque hoje é sábado. Porque existem desejos. ATENÇÃO AO SÁBADO Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. No sábado é que as formigas subiam pela pedra. Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho. De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana. Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?…
Viagem no tempo
São tantos os temas que me agradam na ficção científica que é difícil escolher um para chamar de preferido. Um deles com certeza seria a viagem no tempo. Filmes, livros ou histórias que se refiram a passeios intertemporais e máquinas do tempo sempre chamam minha atenção. A viagem no tempo é a possibilidade de sair de um determinado período de tempo e ir até outro. Por exemplo: imagine que neste exato momento seu corpo ou sua consciência ou os dois juntos retornam alguns anos e chegam até 1991, no meu caso esse foi o ano em que estava entrando para o colégio. Essa seria uma experiência de viagem no tempo. Existem algumas teorias relativas a essa experiência. Uma delas diz respeito a possibilidade de seu corpo ser transportado de um período para outro. O corpo sairia de determinado tempo e espaço e chegaria no mesmo espaço em outro tempo, como no filme A Máquina do Tempo. Outra teoria aborda a possibilidade de realizar essa viajem apenas…
De onde surgiu o Romance Policial?
A Olivia Maia escreveu que o Romance Policial que conhecemos hoje é originário da literatura Gótica do século XIX. Na época, as histórias falavam sobre cientistas, sobre o misterioso mundo dos mortos e sobre aberrações. Com a revolução industrial e o impacto que ela causou na vida em sociedade, novos tipos de literatura surgiram. O medo dessa nova sociedade era propício para tais manifestações de horror. Esses romances faziam parte de uma fala ritualizada que ao poucos produzia aquilo que Foucault identificara como uma modificação das tediosas narrativas sobre o crime para a construção de uma estratégia que produzia o “crime dourado”. Quando Edgar Allan Poe escreve Assassinatos na Rua Morgue, ele inaugura o estilo. E inaugura também boa parte do procedimento que os detetives do romance policial passarão a adotar. Escritores como Conan Doyle e Agatha Christie surgiram a partir das histórias de Poe. E partilham características comuns do romance policial clássico. Um detetive que conduz a investigação como…
História, literatura e crime.
É sabido que a História hoje assume um papel diferente daquele que Aristóteles anunciava em sua Poética. Em nosso tempo existe um diálogo entre os diversos campos do saber. Chamamos esse diálogo de interdisciplinaridade. História e Literatura compartilham de longa data a narrativa e o contar, escrever e descrever, interpretar, reinterpretar, construir, reconstruir por meio da escrita. Determinados eventos “reais” ou “imaginários” são relatados como garantia de se perpetrarem através do tempo. Em especial, é claro aqueles considerados dignos de memória. As narrativas estão ligadas a uma dupla capacidade: cristalizar e ao mesmo tempo dar vida a determinadas idéias e sentimentos a serem compartilhados¹. Ambas as disciplinas são formas de contar o “real”. E o fazem através de signos constituídos por palavras e imagens. As formas da narrativa literária já foram utilizadas pela História, mas é claro que ambas possuem métodos distintos, e seus objetivos são diferentes. Literatura não é História, e vice-versa. No entanto, o Historiador pode, em sua…




