Matadouro 5 (1969) é considerado a obra-prima de Kurt Vonnegut, escritor estadunidense de ascendência germânica nascido em Indianapolis, 11 de novembro de 1922 e faleceu em Nova Iorque no dia 11 de Abril de 2007. O livro é ao mesmo tempo ficção científica e romance pacifista e possui altas dosagens de humor negro. Escrito em trechos curtos que não obedecem a uma ordem cronológica, a obra trata da vida de Billy Pilgrim (provável alter ego do autor), um homem comum, que nasceu e morreu nos Estados Unidos e que durante sua vida esteve na Segunda Guerra Mundial (assim como Vonnegut) e em Tralfamador, um planeta distante onde os seres vêem as coisas em 4 dimensões: quando os tralfamadorianos olham para os seres e objetos, eles vêem centopéias, o que me lembrou o filme Donnie Darko. Vonnegut deixa a sensação de que precisamos conhecer os tralfamodiranos de verdade. Ele levanta em apenas algumas frases a respeito desse planeta e seus habitantes…
História
Professora Daniela? – O que aprendi e o que espero da (e na) sala de aula.
Foram alguns anos esperando até que chegasse finalmente a hora derradeira. Pode parecer exagero, mas desde o momento em que decidi o curso que faria na universidade eu sabia que a hora de dar aula seria esperada com ansiedade. Agora, mais perto do que nunca de pisar em uma sala de aula experimentando o outro lado, uma série de perguntas afloram incessantemente. O que fazer? Como fazer? Será que eu consigo? Será que eu tenho competência para ser professora? Para ser professora de História? O ensino de história na escola serve para que, afinal? São tantas perguntas e poucas respostas. Ensinar História é uma tarefa de grande responsabilidade. A história na escola não pode ser definida da mesma maneira como na academia. Ela tem propósitos e metodologias próprias. A dinâmica da sala de aula de um professor do ensino básico é muito diferente da dinâmica de um professor em uma sala de aula universitária. E aqui não existe nenhuma tentativa…
Blog Retrospectiva 2008
Em outro desafio lançado no blosque fui convocada a fazer a retrospectiva 2008 aqui do blog. E curiosamente essa já era minha intenção desde muito tempo. O bom do desafio foi dar as bases para tal retrospectiva. A seguir, então, escolhi um post de cada mês de 2008 para recordar. Janeiro: Permacultura – um texto introdutório à prática da permacultura, em tempos de aquecimento global é muito importante pensar em alternativas naturais e saudáveis para cuidar de si e do planeta. Fevereiro: Visita de Peso – neste texto eu mesclei um pouco de experiência pessoal (ter conhecido o Lucio) com uma dica de documentário (Lucio, de 2007). Um pouco da história de vida desse senhor que pode passar despercebido pelas ruas hoje em dia, mas que durante muitos anos teve uma militância política muito forte na Europa. Março: A última esperança sobre a Terra – depois de ter lido o livro homônimo resolvi escrever sobre minhas impressões acerca da obra,…
A Narrativa do Romance Policial
Depois de escrever um pouco sobre o surgimento do Romance Policial, é hora de falar da forma que a narrativa assume. A narrativa policialesca diz respeito a uma inclinação humana já existente, e busca a mais completa verossimilhança com a realidade. Os aspectos poéticos são abandonados em prol do exercício da racionalidade. O leitor interage através do medo. E busca compreender crime e criminoso em conjunto com a figura do detetive, responsável pelo desenrolar da história. O detetive representa a polícia, e ele é o herói. Em contrapartida o criminoso assume um papel de aberração. Com o romance policial de segunda geração há uma inversão do papel do detetive e do lugar do crime na sociedade. Se nos romances de primeira geração eles eram aberrações e não faziam parte da ordem social, nos romances escritos a partir das décadas de 1920 e 1930, eles passam a fazer parte de um esquema social que é por inteiro abominável. Ambos estão inseridos…
História, literatura e crime.
É sabido que a História hoje assume um papel diferente daquele que Aristóteles anunciava em sua Poética. Em nosso tempo existe um diálogo entre os diversos campos do saber. Chamamos esse diálogo de interdisciplinaridade. História e Literatura compartilham de longa data a narrativa e o contar, escrever e descrever, interpretar, reinterpretar, construir, reconstruir por meio da escrita. Determinados eventos “reais” ou “imaginários” são relatados como garantia de se perpetrarem através do tempo. Em especial, é claro aqueles considerados dignos de memória. As narrativas estão ligadas a uma dupla capacidade: cristalizar e ao mesmo tempo dar vida a determinadas idéias e sentimentos a serem compartilhados¹. Ambas as disciplinas são formas de contar o “real”. E o fazem através de signos constituídos por palavras e imagens. As formas da narrativa literária já foram utilizadas pela História, mas é claro que ambas possuem métodos distintos, e seus objetivos são diferentes. Literatura não é História, e vice-versa. No entanto, o Historiador pode, em sua…
1984 de George Orwell
A primeira vez que eu li 1984, de George Orwell (no auge dos meus quatorze anos) o fiz por curiosidade. Nasci no ano de 1984 e queria saber o que um livro escondido em um canto da biblioteca da escola e com tal título poderia me dizer. Fui criada para ser uma bitolada, tanto pela escola quanto pela família (não intencionalmente: família pobre e sem instrução). O gosto pela leitura (paradoxalmente incentivado por minha mãe) me desviou desse caminho agonizante. E ao ler 1984 lá em 1998 eu fiquei chocada com tudo aquilo. Pensei se tratar apenas de uma ficção científica politizada, uma crítica à sociedade que poderíamos criar. Não conhecia a história de como e porque o livro foi escrito. Quando descobri isso, já mais madura (aos 17 anos) reli o livro e fiquei ainda mais assustada. Sabia o quanto daquilo era real, e o quanto estava próximo da realidade. Conhecia a história, do livro e da humanidade. Sabia em que circuntâncias George Orwell…





